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Alferes-mor.
Era
o alferes do rei, o que levava o estandarte régio, e não podia
desfraldá-lo sem ordem do monarca, e quando o fazia, todos os
alferes particulares tinham de desfraldar também os seus
estandartes. O cargo de alferes‑mor é antiquíssimo em
Portugal. Nos primeiros tempos da monarquia tinha larguíssimas
atribuições; era verdadeiramente abaixo do rei, o comandante em
chefe do exército. O conde D. Henrique, pai do 1.º rei português,
tinha por alferes-mor D. Fafez Luz, que veio com ele a Portugal e o
acompanhou em todas as batalhas. D. Afonso Henriques concedeu esse
cargo a um cavaleiro chamado Pedro Pais, que pode dizer-se o
primeiro, depois de Portugal se tornar independente; parece, porém,
que o primeiro nome de alferes‑mor que aparece em documento
escrito é o de Pelágio Soares. Havia também alferes‑mor dos
infantes e dos mestrados das ordens de cavalaria, sendo
todos da principal nobreza do reino. O último foi Vasco Fernandes César
de Meneses, conde de Sabugosa, vice-rei da Índia e do Brasil. hoje
é apenas um título honorífico, que, figura nas cerimónias
solenes, e um dos oficiais‑mores da Coroa. Quando no exército
existia o posto de porta-bandeira, os alferes nem sequer empunhavam
as bandeiras do regimento; depois que foi suprimido aquele posto, a
bandeira é confiada ao alferes mais moderno.
Na
Nobliarchia portugueza, de António de Vilas Boas e Sampaio,
publicada em 1676, lê-se o seguinte: «O livro do rei D. Dinis, no
titulo de Alferes‑mor, diz
o que se segue: - Os Gregos e Romanos foram homens que usaram muito
da guerra; enquanto o fizeram com siso e entendimento venceram e
acabaram o que quiseram; e eles, foram os primeiros, que fizeram
como fossem conhecidos os grandes senhores nas Cortes dos Príncipes,
e nas batalhas, e nos outros feitos de guerra, e façanha.
Confirmando eles como em semelhantes feitos as gentes, e povos se
acautelassem bem, por guardarem principalmente os serviços de seus
senhores, tendo muito por honra assinada, chamaram os que trazem as
Sinas principais dos Imperadores e dos Reis,
Signifer, que quer tanto dizer, como oficial, que leva a
primeira sina, do principal senhor da hoste. Chamaram ainda Preposito,
que quer tanto dizer como adiantado sobre as outras companhias da
hoste; e isto, porque em aquele tempo, ele lhe julgava os grandes
feitos, que aconteceram em elas. Estes nomes usaram em Espanha até
que se perdeu a terra e a tomaram os inimigos Mouros, e depois que a
alcançaram os cristãos, chamaram a este ofício Alfezes, e
assim o há hoje nome. - Chamavam os antigos à bandeira real Sina,
porque nela ia o sinal que havia de seguir os soldados do exército,
ou nas armas do reino, ou rio retrato do príncipe ou em outra
qualquer empresa ou divisa, de que usasse; razão, porque Lucano, na
Pharsalia, liber I estranhava
a confusão das armas de Roma, nas guerras civis, entre César e
Pompeu, sendo do uma e da outra parte a mesma Águia a que
assinalava as bandeiras.» Mais tarde tornou-se este título
simplesmente honorífico, como o de condestável e de mariscal.
Tempos depois parece que houve
dois alferes-mor,
de ocupações distintas; um, como fica dito, levava o guino
real nas batalhas; o outro era alferes-mor
do reino, tanto na paz como na guerra, devia levar a bandeira
real nas cortes e juramento de príncipes, o que ainda hoje se
observa. Parece também que os dois cargos estiveram reunidos.
Transcrito por Manuel Amaral
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