Portugal - Dicionário
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Arriaga (Sebastião de).

n.    1836.
f.     1875.

 

Engenheiro agrónomo distinto. 

N. no ano de 1836 e fal. em 1875. Era filho de Sebastião José de Arriaga Brum da Silveira e de D. Maria Cristina de Arriaga Caldeira. Sebastião de Arriaga foi o 15.º e último morgado da casa Arriaga Brum da Silveira, por ter falecido sem descendentes. 

Foi estudar a Grignon, onde fez um curso distinto, e regressando a Portugal tentou estabelecer no Alentejo uma quinta modelo de agricultura prática, para o que aplicou toda a sua actividade e inteligência num esforço nobre de patriotismo. Solicitou a protecção do rei D. Luís, e, obtendo a promessa da sua, coadjuvação, começou a empresa com o entusiasmo que o caracterizava. Partiu para o Alentejo, e, procedendo aos competentes estudos escolheu a herdade de Assumar pertencente à Casa Real. Escreveu então uma obra intitulada: Projecto de cultura e agricultura pratica, que lhe mereceu os elogios de todos os seus professores de Grignon, e os do ministro do fomento de Espanha. Quando se achava mais animado de ardente patriotismo, como prova a sua obra, veio a politica desconcertar-lhe os planos e deitar por terra os seus sonhos. Sofreu o mais profundo golpe com semelhante decepção, mas apesar disso escreveu em 1870 outra obra notável, com o título: Tratado pratico de mechanica agricola, da qual apenas saíram três fascículos, que mostram a sua importância e valor. Nessa ocasião, e estando em Espanha, foi Sebastião de Arriaga surpreendido pela fatal doença a que sucumbiu, depois dum longo período de sofrimentos. Apenas se sentiu doente veio para Portugal, e na partida perdeu-se o manuscrito daquela obra, que a sua família não conseguiu descobrir. 

O pensamento dos seus trabalhos sobre agricultura era o reagir contra a ciência agrícola puramente teórica do país e obrigá-la a entrar num campo prático, para abrir assim um período de completa regeneração à agricultura nacional. Não pôde, porém, ver realizadas as suas ideias porque faleceu, tendo apenas 36 anos de idade. Deixou algumas obras literárias e mostrava grande vocação para a poesia.

 

Transcrito por Manuel Amaral

 

Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Volume I, pág. 749.

Edição em papel © 1904-1915 João Romano Torres - Editor
Edição electrónica © 2000-2010 Manuel Amaral