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Balancé.
Máquina que no seu movimento alternativo produz uma grande pressão muito
aplicada na cunhagem da moeda. Até meados do século XVIII a moeda
portuguesa foi batida a martelo. Em 1678 o terceiro conde da
Ericeira, D. Luís de Meneses, vedor de fazenda e director da Moeda,
acabou de vez com essa cunhagem a martelo e fez construir pela indústria
nacional o primeiro balancé, com o qual se cunharam todas as moedas
até 1837, ano em que veio de Inglaterra para a Casa da Moeda uma
poderosa máquina de cunhar movida a vapor. Foi também o mesmo
ilustre conde quem estabeleceu o uso da serrilha nas moedas de ouro
e prata para impedir o cerceio. O aludido balancé foi feito em
Lisboa por um artista português de apelido Oliveira e ainda existe.
Acha-se no museu do Carmo. É de bronze e tem gravados, entre
diversas ornamentações em que se vêem as armas do reino, os
seguintes dizeres:
SENDO REGENTE DESTES REINOS O PRÍNCIPE DOM PEDRO, DOM LUIS DE MENEZES CONDE
DA ERICEIRA, DO SEV CONCELHO, E VEDOR DE FAZENDA DA REPARTIÇÃO DA
ÍNDIA MANDOV MVDAR A FABRICA DA MOEDA DE MARTELLO A ESTA EMPRENSA
POR SEEVITAR O SERSEARSE O DINHEIRO - ANNO DE 1678.
S -
Jo - DE OLIVEIRA ME FEZ EM LISBOA.
O bronze está amassado no sítio do nome do construtor, pelo que se não pôde
ver o resto das letras.
Transcrito por Manuel Amaral
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Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Volume
II, pág. 31.
Edição em
papel © 1904-1915 João Romano Torres - Editor
Edição electrónica © 2000-2010 Manuel Amaral |