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Beresford (Guilherme Carr).
n.
f.
Major-general
inglês, que tomou grande parte na Guerra a Peninsular, comandando
as tropas aliadas anglo-lusas contra os exércitos franceses que
invadiram Portugal, sob o comando dos generais Junot, Soult, e
Massena. O seu nome ficou tão assinalado na história do pais, que
não podemos deixar de o mencionar.
Reconhecendo o governo do Rio de
Janeiro, onde se refugiara a família real portuguesa, a necessidade
imperiosa de um chefe capaz de reorganizar e disciplinar
convenientemente o nosso exército, pediu à Inglaterra um general,
e, sendo Beresford o escolhido para essa missão, foi logo nomeado
marechal e comandante em chefe do exército português por decreto
de 7 de Março de 1809, assumindo esse comando a 15 do referido mês.
Dias antes haviam chegado ao Tejo duas divisões inglesas, e na
verdade todos esses esforços eram bem precisos, porque o general
francês Soult já a esse tempo havia atravessado a província de Trás-os-Montes
e achava-se perto de Braga. Beresford tratou de tomar algumas
medidas, que lhe pareceram precisas para aperfeiçoar e disciplinar
as forças do seu comando. Do quartel general, então no largo do
Calhariz, expediu logo várias ordens do dia alterando alguns pontos
da ordenança da infantaria, criando um comandante geral da
artilharia, estabelecendo a separação dos batalhões, e castigando
severamente a insubordinação dum batalhão de granadeiros. A 22 de
Abril desembarcou em Lisboa Wellesley, mais tarde duque de
Wellington, vindo para tomar o comando das tropas inglesas. Os exércitos
aliados marcharam então para o norte do reino. Wellesley seguiu de
Coimbra directamente para o Porto, onde entrou a 12 de Maio, e
Beresford marchou através da província da Beira, chegando nesse
mesmo dia à margem do Douro nas proximidades de Lamego. Soult,
sendo expulso do Porto, e impossibilitado de seguir pela estrada de
Amarante, quis sair de Portugal por Chaves, mas as forças de
Beresford ali estavam, e o exército francês teve de tomar o
caminho de Montalegre; só depois de sacrificar a artilharia e as
bagagens, arrostando com numerosas dificuldades é que conseguiu
transpor as fronteiras.
Terminada assim a segunda invasão, os exércitos
aliados retiraram-se para o sul do reino, postando-se o inglês
em Abrantes e o português em Castelo Branco, com o intento de
operarem juntamente com o espanhol contra o marechal Victor. Tendo,
porém, este repassado o Tejo, e aproximando‑se da nossa
fronteira do Minho os marechais Soult e Ney, Beresford foi acampar
nas margens do rio Águeda, e ali se conservou até que, tendo
conhecimento do resultado da batalha de Talavera, entrou em Espanha
para proteger a retirada de lorde Wellington. Depois de ter costeado
a fronteira, regressou a Portugal, e distribuindo o exército por
diversos pontos veio estabelecer o seu quartel-general em Lisboa,
continuando dai a expedir muitas e importantes ordens tendentes a
melhorar as nossas instituições militares. Os combates travados
nas proximidades da fronteira com as forças de Massena e a batalha
do Buçaco, provam que os esforços de Beresford tinham alcançado
grande êxito, e que o exército português podia figurar ao lado
dos ingleses de Wellington, e sabia bater-se com as tropas de Napoleão.
Beresford, depois da retirada de Massena das linhas de Torres Vedras,
marchou em socorro de Badajoz. Em 1811 estava novamente em Lisboa
entregue aos cuidados de disciplinar e reorganizar o nosso exército,
tomando então muitas e úteis medidas. Numa batalha, perto da
cidade de Salamanca, foi ferido quando mandava avançar ao ataque
uma das brigadas portuguesas. Recolheu-se a Lisboa, e no ano
seguinte assistiu à batalha de Vitoria, em que os franceses ficaram
completamente derrotados.
Terminada
a campanha peninsular, e tendo Beresford ido a Inglaterra com licença,
voltou a Lisboa a assumir de novo o comando em chefe do exército
português. Não se querendo, porém, limitar a esse comando,
entendeu que devia também influir na administração do estado, de
que resultaram várias questões e conflitos com a regência.
Beresford decidiu então ir à corte do Rio de Janeiro, e para ali
partiu em Agosto de 1815, voltando em setembro de 1816 elevado ao
posto de marechal-general, e investido de poderes mais amplos dos
que anteriormente exercera. Na conspiração de 1817, em que
vitimaram Gomes Freire de Andrade, foi Beresford severamente
censurado pela forma como tratou aquele dedicado general (V.
Andrade, Gomes Freire de). Vendo-se colocado em difícil posição,
voltou novamente ao Brasil, e obteve de D. João VI a confirmação
dos amplíssimos poderes que tivera, e que desejava ampliar, para
evitar os inconvenientes resultantes da má vontade da regência.
Regressou a Portugal com o caracter perfeitamente de ditador, mas no
intervalo dera‑se a revolução de 1820; os oficiais ingleses,
em grande parte, haviam sido dispensados dos seus serviços no novo
exército, e o governo revolucionário que se organizara em Lisboa,
nem consentiu que Beresford desembarcasse. Mais tarde, estando em
Inglaterra, o general inglês publicou um livro em português,
pretendendo defender‑se das acusações que lhe faziam acerca
de Gomes Freire de Andrade. Entre as honras que recebera de
diferentes países, Beresford tinha a grã-cruz da ordem da Torre e
Espada, e os títulos de conde de Trancoso, concedido em 1811, e de
marquês de Campo Maior, em 1812.
Transcrito por Manuel Amaral
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