Bispo de Angra e de Leiria, etc.
N. em Coimbra, e fal. a 31 de Março de 1613. Era filho do arquitecto
Diogo de Castilho e de sua mulher, D. Isabel Ilharco.
Seguiu a carreira das letras, e depois de ser mestre em artes, principiou
a estudar teologia; mudou mais tarde de faculdade, e cursou a de Cânones
na Universidade de Coimbra, em que se formou e doutorou. Foi prior
da igreja de S. Salvador de Ílhavo, beneficiado da de Santo André,
de Celorico; por mercê do cardeal D. Henrique foi também deputado
do Santo Oficio de Coimbra, onde entrou a 16 de Fevereiro de 1575;
visitador dessa mesma diocese, sendo bispo D. Manuel de Meneses, e
sagrado bispo de Angra, para onde partiu em 1577. Criou na ilha de
S. Miguel a freguesia de S. José na cidade de Ponta Delgada.
Seguindo o partido de Castela, quando D. António, prior do Crato
foi aos Açores para defender os seus direitos à Coroa portuguesa,
D. Pedro de Castilho voltou para o reino em 1582, a bordo da
esquadra do marquês de Santa Cruz. Em 1583 foi transferido para a sé
de Leiria, e exerceu o cargo de prelado desta diocese durante 24
anos, que renunciou em 1607, ficando seu sucessor D. Martim Afonso
Mexia. Filipe II, de Portugal, o nomeou D. Prior da colegiada do
antigo mosteiro de Santa Maria de Guimarães, de religiosos ou
religiosas da ordem de S. Bento, de que tomou posse a 31 de Agosto
de 1605; capelão-mor do rei e seu esmoler‑mor, conselheiro de
Estado, presidente do Desembargo do Paço, governador de Alcobaça,
vice-rei de Portugal, cargo a que sucedeu ao bispo de Coimbra D.
Afonso de Castela Branco, mas que pouco tempo exerceu; mais tarde
tornou a ser vice-rei de Portugal, quando o marquês de Castelo
Rodrigo, que ocupava esse lugar, teve de ausentar-se por ser chamado
à corte de Castela.
D. Pedro de Castilho fundou na igreja de S. Domingos de Lisboa uma capela
para si e para os possuidores do morgado que instituíra de muito
boas rendas na província da Beira. Essa capela, dizem, é a de N.
S. da Defensa, a primeira do corpo da igreja, do lado da Epístola.
Consta que foi afamado poeta latino, e que por sua ordem se imprimiu
pela primeira vez em Portugal o Regimento do Santo Officio da
Inquisição dos reinos de Portugal, recopilado por mandado do Ill.mo
e Rev.mo Senhor D. Pedro de Castilho, Inquisidor geral e
Viso-Rey dos reinos de Portugal, Lisboa. 1613.
Transcrito por Manuel Amaral