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Eduarda (Emília).
n. 1
de Janeiro de 1845.
f.
Actriz contemporânea, escritora e poetisa.
N. em Lisboa a 1 de Janeiro de 1845.
Era filha dum militar muito
distinto, e desde muito nova mostrou grande vocação para o teatro.
Casou com 12 anos e meio de idade, mas passados poucos anos
enviuvou, e decidiu-se então a seguir a carreira dramática. A
primeira vez que representou, foi como amadora, no teatro
Therpsychore, da rua da Conceição à Praça das Flores, nas comédias
O homem de ouro, em
3 actos, A Util
e agradavel e moleira de Marly, ambas em 1 acto. O
actor Taborda apresentou-a no Gymnasio, onde debutou em Outubro de
1861 na comédia, de 1 acto A esposa deve acompanhar seu marido,
traduzida pelo falecido escritor Júlio César Machado. O público
recebeu-a com aplausos sinceros, e desde então ficou consagrada
actriz. Conservou-se algum tempo neste teatro, entrando em grande
parte do reportório, passando depois aos teatros das Variedades,
rua dos Condes e Príncipe Real. Foi numa tournée artística
às ilhas dos Açores, e quando regressou, o empresário do teatro
Baquet, do Porto, António Moutinho de Sousa, a escriturou na
qualidade de dama central e característica Dessa companhia fazia
parte o actor Simões e suas filhas, Lucinda e Amélia Simões,
Paulo Martins, Júlio Soller, Garra, Apolinário de Azevedo, e
outros, cujos nomes nos não recordam. Sempre estudando e
dedicando-se com boa vontade à arte a que se destinara, tornou-se
uma actriz muito apreciada e muito simpática, especialmente no
Porto, onde tem feito a maior parte da sua carreira artística.
Tanto no teatro Baquet como no do Príncipe Real, tem representado
em papéis de géneros diferentes, no drama, na comédia, na opereta
e na farsa, sendo sempre aplaudida, como na Thereza Raquin, de
Zola, Medico á força, Boccacio, A boneca, O testamento da
velha, O solar dos Barrigas, etc. Já foi duas vezes ao Brasil,
numas tournées da companhia do empresário Taveira, sendo também muito
festejada. Na época de 1898 e 1890 esteve contratada no teatro de
Carlos Alberto, do Porto. Emília Eduarda, além do seu merecimento
artístico, é escritora e poetisa. Dos seus trabalhos literários
citaremos os seguintes: Sobrinho da America, comédia em 3
actos; Senhor e senhora Diniz, opereta em 1 acto; Cartas
na mexa e Diabo a quatro, revistas do ano (te 1886 e
1889); Tripas á revolução e O
sentinella, comédias
em 1 acto; O processo
d'el‑rei Dinheiro, sátira em 3 actos; etc.
Traduziu também o drama em 3 actos, Mulher de fogo, a comédia
em 1 acto, Historia d'um crime., etc. Em 1895 publicou um
volume, intitulado Contos simples, com
um prefácio de D. João da Câmara. Foi quem escreveu a primeira
poesia, que o actor António Pedro recitou em público. Emília
Eduarda tem colaborado em diversos jornais literários, tanto em
prosa como em verso.
Transcrito por Manuel Amaral
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Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Volume
III, pág. 111.
Edição em
papel © 1904-1915 João Romano Torres - Editor
Edição electrónica © 2000-2010 Manuel Amaral
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