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Idanhas (Pedro de Alcáçova Carneiro, conde das).
n.
f.
Escrivão da puridade de el-rei D. João III, vedor da Fazenda de
D. Sebastião, etc.
Era filho de António Carneiro, que exercera o mesmo cargo junto
de el-rei D. Manuel. Pedro de Alcáçova Carneiro foi introduzido na
corte por seu pai, e acostumou-se a conhecer e a estudar os
negócios, chegando a ser admitido aos conselhos da Coroa, até que
por morte de seu pai sucedeu no cargo de escrivão de puridade.
Tomou grande preponderância no reinado de D. João III, e Alexandre
Herculano tece-lhe os maiores elogios como diplomata, da forma como
conseguiu conservar sempre a nossa neutralidade, esquivando-se
sempre às instâncias de Espanha e ás perseguições de França.
As negociações para o estabelecimento do tremendo tribunal da
Inquisição foram bem dirigidas, pois apesar da sua influência com
o monarca, nada podia contra o fanatismo de D. João III, que a esse
respeito era intransigente. Prova-se que Pedro de Alcáçova
Carneiro não era do partido fanático, porque depois da morte do
soberano, o vemos fazer parte dos sectários da rainha D. Catarina
contra os do cardeal-infante D. Henrique. Não se havia encontrado
papel algum que indicasse as últimas vontades de D. João Ill a
respeito da regência do reino, por isso que D. Sebastião era uma
criança de berço. Disputavam entre si a regência o cardeal-infante
D. Henrique e a rainha viúva D. Catarina. Esta, porém, tinha na
corte partidários seguros, e ficou sendo a regente, continuando
Pedro de Alcáçova Carneiro no seu cargo de secretário, até que
D. Catarina cedeu a regência a seu cunhado, o cardeal D. Henrique,
ficando substituindo-o Miguel de Moura, pessoa muito afecta ao
cardeal. Os jesuítas conseguiram, depois de el-rei D. Sebastião
ser aclamado, que Pedro de Alcáçova Carneiro fosse até exilado da
corte. Os sucessos políticos de então mudando de face, fizeram com
que ele voltasse triunfante do exílio, e por decreto de 7 de Maio
de 1576 entrou no governo, de parceria com Manuel Quaresma Barreto e
D. Francisco de Portugal. Encarregado depois duma missão junto de
Filipe II, Pedro de Alcáçova Carneiro mostrou dupla habilidade
como diplomata nas negociações com o ministro espanhol duque de
Alba, conseguindo que D. Sebastião tivesse directamente o negócio,
esquivando-se assim a ficar com a responsabilidade do mau êxito dum
negocio, que ele previa, que não podia ter resolução favorável.
Não deixou por isso de cumprir o seu dever de conselheiro,
precavendo D. Sebastião contra a política astuciosa de Filipe II,
profetizando-lhe que o monarca espanhol não cumpriria as vagas
promessas de o socorrer ria guerra africana, e aconselhando-lhe
também com toda a cordura, que não empreendesse essa malfadada
expedição de Alcácer Quibir que absorvia já, muito antes de
estar pronta, todos os recursos do reino.
Uma memória
escrita a este respeito por Pedro de Alcáçova Carneiro em 1577,
lança uma triste luz sobre os preparativos da expedição mostra as
despesas enormes que se faziam com os auxiliares estrangeiros. Nesse
tempo exercia Pedro de Alcáçova Carneiro o cargo de vedor da
Fazenda, para que em tempo fora indigitado, e como tal foi nomeado
por D. Sebastião um dos 5 governadores do reino que ficaram
substituindo e l-rei na sua ausência, sendo os outros quatro Jorge de
Almeida, D. João Mascarenhas, Francisco de Sá e Miguel de Moura.
Apenas chegou ao reino a notícia do desastre de Alcácer Quibir e
da morte de D. Sebastião, logo o infante D. Henrique tomou as
rédeas do governo com o titulo de curador, e a primeira coisa que
fez foi satisfazer o seu ódio pessoal contra Pedro de Alcáçova
Carneiro, mandando o prender em sua casa, quando ele chorava a morte
na desastrosa batalha dos seus dois filhos Luís e Cristóvão, e
obrigando-o a responder a um capítulo de acusação, em que se lhe
lançava em rosto o ter aconselhado a expedição de Alcácer Quibir.
Estas e outras injustiças irritaram Pedro de Alcáçova Carneiro, e
o obrigaram a lançar-se desde
logo rio partido do rei espanhol, procurando assina meio de se
vingar do seu
implacável inimigo e soberano. Sendo exilado da corte, continuou
ainda com mais actividade a favorecer os espanhóis. Cristóvão de
Moura, o fidalgo traidor, aproveitando o seu ressentimento para coro
o cardeal rei, a ambição do homem habituado aos favores da coroa e
às auras do paço, que já não podia suportar o exílio do poder,
acenou lhe com o valimento de 1 Filipe lI, com os títulos, com as
honras e com as pastas de ministros, e assim teve mais um aderente
rio velho fidalgo. Era mais um grande vulto que se rendia. Foram de
grande auxílio a Filipe II a inteligência e a pratica de negocies,
o conhecimento da corte de Pedro de Alcáçova (arneiro, e o monarca
castelhano soube recompensá-lo. Apenas tomou posse de Portugal
restituiu-lhe todos os seus empregos, Honras e dignidades,
constituindo, com ele, Miguel e Cristóvão de Moura, o ministério
que dirigiu os negócios do país em quanto Filipe esteve em
Portugal. Partindo depois para Madrid, deixou em Lisboa como
vice-rei o cardeal-arquiduque Alberto, e Pedro de Alcáçova Carneiro,
agraciado com o titulo ele conde das Idanhas, foi escolhido para um
dos membros do conselho do governo que devia auxiliar a
inexperiência do arquiduque Pouco tempo depois faleceu cone mais de
80 anos de idade, tendo sido ministro mais de 50, e mandando o fies
de tão nobre carreira com a sua aldeão aos espanhóis.
Na
Biblioteca Nacional de Lisboa existe o Tombo da commenda de
Idanha-a-Nova de que he Commendador e Alcaide-Mór
dõ Pedro dalcaçova Carneiro, 1577. É manuscrito, tendo na
capa as armas do possuidor.
Transcrito por Manuel Amaral
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