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Magalhães
Correia
(Paulino Augusto de).
n.
f. 5 de Novembro de
1907.
Facultativo
de 1.ª classe do quadro de saúde das províncias de Angola e S.
Tomé e Príncipe, falecido em 5 de Novembro de 1907. Era filho do
coronel de Artilharia Paulino Correia.
Fez o seu
curso com várias distinções na Escola Médico Cirúrgica de
Lisboa, perante a qual defendeu tese, com o título de: Adrenagem abdominal. Entrando no quadro de saúde do ultramar foi
para Luanda em Agosto de 1901, onde no começo da sua carreira
mostrou logo o sincero culto que prestava do dever, levado mesmo no
sacrifício, como se reconheceu em 1902, em que foi atacado de varíola
por efeito do muito cuidado que ligava aos doentes dessa
enfermidade, que lhe estavam confiados.
Em 31 de
Julho do mesmo ano, estando destacado em Novo Redondo, foi mandado
seguir para Benguela, fazendo parte da coluna de operações no
Bailundo, serviço em que se conservou até 26 de Outubro, fazendo
parte das forças que em 5 do referido mês atacaram a embala grande
do Quibala. Desde então até 25 de Maio de 1903 esteve dirigindo no
Balombo uma enfermaria militar. Recolhendo a Luanda foi agraciado
com as medalhas de prata, Rainha D. Amélia e de bons serviços no
Ultramar. Esteve ainda no Alto Dande de 8 de Agosto de 1904 até 13
de Novembro de 1905, e em 4 de Dezembro de 1906 destacou para Novo
Redondo. Manifestando-se revolta no gentio de Amboim, para onde
marchou uma força de Luanda, que recebeu alguns ferimentos na
primeira investida, Paulino Correia, acompanhado dum enfermeiro, foi
mandado seguir por ordem telegráfica, de Novo Redondo para aquela
região, onde se apresentou depois de dois dias de marchas forçadas
e fatigantes, e com o maior zelo e boa vontade se dedicou logo no
tratamento dos feridos, o que lhe exigiu dois dias de intenso
trabalho na extracção dos zagalotes, que em alguns dos feridos foi
demorada e dolorosa operação. Conservando-se junto à coluna não
se limitou só aos seus deveres profissionais mas de carabina em
punho tornou-se o mais devotado auxiliar do seu comandante. Com o
seu sangue frio e coragem animava todos. E não foi só no serviço
das marchas que ele de boa vontade se prestou a auxiliar o
comandante da coluna, ofereceu-se incondicionalmente a prestar todos
os serviços militares, não consentindo que o excluíssem do árduo
serviço de rondas, que desempenhou juntamente com os oficiais
combatentes.
Foi a
Paulino Correia que se deveu o traçado e a direcção na construção
dum reduto que se levantou em N'Gabella, margem direita do rio
Mazunge, sobado Quissacra, com plena aprovação do comandante da
coluna. Finda a campanha, que durou alguns dias, recolheu a Luanda
com a saúde bastante afectada e com os sintomas duma febre tifóide,
mas não querendo aceder aos rogos dos seus amigos para ali ficar em
tratamento, apenas se demorou 4 dias naquela cidade, seguindo depois
a ocupar o seu lugar em Novo Redondo. A doença que o acometera foi
superior à sua energia, e decorridos poucos dias o prostrou para não
mais se levantar. Foi transferido para o hospital de Luanda, onde
faleceu.
Transcrito por Manuel Amaral
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