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Noronha
(D.
Tomás de).
n.
f.
Bacharel formado em Direito pela Universidade de Coimbra, professor e
escritor, etc.
Fez o Curso Superior de Letras, de que foi aluno distinto. Em 1901 partiu
para a Índia a ocupar o seu lugar de professor de alemão no liceu
de Nova Goa. O Sr. D. Tomás de Noronha tem colaborado em vários
jornais, e nas Novidades de 25 de Julho de 1906 publicou: Dois
perfis (D. Maria Amália Vaz de Carvalho e Teófilo Braga). Em Coimbra
é o seu nome muito conhecido, tendo ganho ali as gerais simpatias
desde o seu tempo de estudante laureado. Foi ele o autor da peça de
despedida do seu ano, A Barca dos RR, e nessa época publicou
o Umbrano (Lisboa, 1899) elegia, em tercetos quinhentistas, e
mais tarde outro livro de versos: Tempos perdidos. Quando
esteve na Índia publicou (em 1905) um livro, com o título de Contos
da India, que mereceu lisonjeiros artigos de toda a imprensa. O
livro encerra quatro contos: O
meu guia, O bacharel
Chrisostomo, Milagres de S. Francisco e Rucuminó.
Em 1906 publicou a sua Carta aos portuguezes da India, sobre a Assistência
Escolar. O Sr.
D. Tomás de Noronha, tendo durante alguns anos estudado as condições
económicas; sociais e intelectuais da Índia portuguesa, julgou
oportuno lançar as bases duma prestimosa assoiação, a Assistência
Escolar, destinada a aproveitar as faculdades do indígena na
aquisição duma instrução sólida e prestadia. Dirigiu-se nesse
intuito, aos portugueses da Índia, na carta pública, acima citada,
a qual foi traduzida em inglês, em marata e em concanim, fazendo-se
sucessivamente quatro edições. Em Goa e Bombaim foi a generosa
iniciativa do Sr. D. Tomás de Noronha secundada desde logo pelas
personagens mais evidentes e prestigiosas daquela nossa província
ultramarina, representantes do jornalismo, das finanças, do comércio
e do professorado. Os fundadores da Assistencia Escolar foram
os Srs. visconde de Wrem, em Bombaim; e em Goa, o general Augusto
Carlos de Sousa e Brito, António Maria da Cunha, Francisco Wolfango
da Silva, João Filipe Ferreira, Luís Guilherme Dias, tesoureiro;
Luís de Meneses Bragança, Manuel Pedro de Sousa Franklin, Síuramá
Santicá Sinay Cundoicar, Visnem Seuay Dempó e o rei de Sundem. Em
1906 o Sr. D. Tomás de Noronha teve a honra de ser recebido pelo
falecido rei D. Carlos I e por sua majestade a rainha senhora D. Amélia,
que lhe falaram dos seus livros que de há muito conheciam,
elogiando-os e prometendo auxiliar a Assistência
Escolar, por ser uma obra muito simpática, destinada a prestar
grandes serviços.
O Sr. D. Tomás de Noronha é professor num dos liceus de Lisboa.
Transcrito por Manuel Amaral
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