|
Nova Cintra (José Joaquim Leite Guimarães, barão de).
n. 18 de Julho de 1808
f. 3 de Julho de 1870
Negociante no Brasil, capitalista, abastado proprietário etc. N. na
freguesia de S. João Baptista, de Pencelo, próximo de
Guimarães, a 18 de Julho de 1808, fal. no Porto a 3 de Julho de
1870. Era filho de António José Leite de Faria, proprietário, e
de sua mulher D. Custodia Maria Machado; irmão do barão da Gloria,
António José Leite Guimarães.
Aos 11 anos foi para o Porto, onde esteve empregado numa casa de lãs, e
seis anos depois, em 1825, embarcou para o Brasil, e empregou-se
como caixeiro, numa casa de comércio de fazendas brancas no Rio de
Janeiro. Em 1831 entrou como sócio na casa comercial de Luís
Joaquim Moreira & Companhia, no Rio Grande do Sul, e tendo aí
tomado parte activa na luta contra o partido republicano, logo que
se restabeleceu dum ferimento que recebera em combate, voltou ao Rio
de Janeiro, onde se estabeleceu de sociedade com seu irmão, o barão
da Gloria, sociedade que durou até 1837. No anuo seguinte ligou-se
com Luís António da Silva Guimarães, e sob a firma Leite &
Guimarães fundou uma nova casa comercial de fazendas por atacado,
que em breve prosperou a ponto de ser uma das mais importantes da
praça do Rio de
Janeiro, e que em 1846 ficou toda a cargo do sócio, porque o futuro
barão de Nova Cintra precisou, por motivos particulares, de ir
novamente ao Rio Grande do Sul. Em 1851 regressou à Europa, visitou
a exposição universal de Londres em 1852, passou depois a Itália,
percorreu a Alemanha, Suiça, Holanda, Inglaterra, Bélgica e França,
fixando a sua residência em Paris até que em 1855 regressou a
Portugal. Depois de viver perto de seis anos em Lisboa passou ao
Porto, tomou conta da administração da Companhia do Gás, que
estava seriamente comprometida e cujos créditos ele em breve
restabeleceu, foi vice-presidente e presidente da Associação
comercial de beneficência do Porto, cujos haveres aumentou
extraordinariamente, e sendo encarregado de administrar o Asilo da
Mendicidade da mesma cidade, e depois de nomeado pelo governo
provedor deste estabelecimento, conseguiu à força de diligencias e
de trabalhos melhora-lo e eleva-lo ao grau de prosperidade que até
então nunca tivera atingido. Na fundação de muitos bancos do
Porto bem como na arrojada ideia da exposição universal que se
realizou em 1865, teve boa parte o barão de Nova Cintra, que bem
contra a sua vontade aceitara esse título, com que fora agraciado por decreto de 8 de
Março de 1862. Durante o tempo que exerceu o lugar de provedor do
Asilo da Mendicidade, começou a organizar um asilo para crianças
desvalidas, mas depois, dando mais vastidão à sua filantrópica
ideia, levantou desde os alicerces no caminho do Porto para Campanhã
um edifício em que estabeleceu, não só esse asilo da infância,
mas também um outro denominado das Artes e ofícios, em que os
rapazes tirados da Casa da Correcção são empregados na
aprendizagem de diferentes ofícios e em trabalhos agrícolas
conforme as suas vocações e aptidões. Anexo a esse edifício, que
ficou com o nome de Estabelecimento humanitário do Barão de
Nova Cintra, fica a fábrica de fiação de seda, que o mesmo
titular fundou, e cujos produtos têm merecido os mais elevados prémios
nas exposições em que têm sido apresentados. Em 1866 quis o
governo dar-lhe o titulo de visconde e chegou a ser lavrado e
publicado o decreto, com a data de 11 de Dezembro de 1866, mas o
honrado e modesto filantropo resignou essa nova mercê continuando
somente a usar do titulo de barão, que já aceitara contrariado,
conforme dissemos.
Casou duas vezes; a primeira
em 1840 com D. Mariana de Casal Ramos, senhora brasileira que
faleceu em 1845, filha de Rafael José do Casal e de sua mulher D.
Maria Ramos; a segunda vez, em 5 de Janeiro de 1846, com D. Albina
Augusta de Araújo, natural de Viana do Castelo, filha de Francisco
Domingos de Araújo, e de sua mulher D. Isabel Joaquina de Moura. De
nenhum dos matrimónios houve descendência.
Transcrito por Manuel Amaral
|