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Soveral (Luís Maria Pinto de Soveral,
marquês de).
n. 1855.
f. [ 5 de Junho de 1922 ].
Ilustre diplomata,
conselheiro de Estado, par do reino, etc.
N. em S. João da Pesqueira,
em 1855.
Depois de ter feito os seus
preparatórios e frequentado, como aspirante de marinha, algumas
cadeiras da Academia Politécnica do Porto, partiu para a Bélgica,
onde fez com distinção o curso do ciências políticas e
administrativas. Voltando a Portugal fez concurso para segundo
secretario, e entrando na carreira diplomática, foi nomeado adido
à legação de Madrid, conquistando logo as maiores simpatias pela
sua afabilidade e fino trato, como um verdadeiro homem de corte. Foi
depois nomeado, em 1877, adido à legação de Viena de Áustria,
sendo promovido em concurso no ano seguinte ao lugar de segundo
secretario na corte de Berlim, onde serviu com muita distinção,
sendo mais duma vez encarregado de negócios, até ao mês de
Outubro de 1881, em que passou a Madrid como primeiro secretário.
Dali foi transferido para Roma, em 1884, e em 1890 teve transferência
para Londres, depois do grande conflito do ultimato
de 11 de Janeiro, indo substituir o então ministro naquela
corte, o conselheiro Barjona de Freitas, apesar do seu cargo de 1.º
secretário.
Foram relevantíssimos os
serviços que prestou como encarregado de negócios, em circunstâncias
tão especiais e difíceis, conseguindo pelo seu zelo, inteligência,
e fino tacto diplomático, que as relações o amizade entre as duas
nações se fossem desde então estreitando. Foi ele que, vencendo
numerosas dificuldades, que celebrou um
modus vivendo com a Inglaterra. A impressão que o trabalho de
Soveral causou aos dois governos foi tal, que obteve logo, em 13 de
Janeiro de 1891 a nomeação de ministro de Portugal em Londres,
passando a ser persona, mais
que gratissima da corte
inglesa. Prosseguiu então nas negociações do tratado de 11 de
Junho de 1891. Conservou‑se, naquela corte até 1895, sendo
muito estimado e considerado. O rei Eduardo VII tratava-o com toda a
intimidade; foi agraciado com a grã-cruz, da mais prestigiosa ordem
de Inglaterra, e o monarca inglês punha à sua disposição o iate
real para o trazer a Lisboa, como se fosse do rei da Portugal, e
hospedava-o no seu próprio palácio.
Em 1893 foi ministro dos negócios
estrangeiros na presidência de Hintze Ribeiro. Nesse ano deu-se a
questão da ilha da Trindade, questão melindrosíssima, a cuja solução
muito honrosa o seu nome ficou ligado. Como se sabe, as negociações
relativas a essa questão foram entabuladas entre os gabinetes de
Londres, Rio de Janeiro e Lisboa, e superiormente dirigidas por
Lorde Salisbury, ministro dos estrangeiros de Inglaterra, Dr. Carlos
de Carvalho, ministro do Brasil, e Luís de Soveral de Portugal.
Nesta questão anglo-brasileira, a forma como se houve o ministro
português, foi um dos mais notáveis acontecimentos que abrilhantou
a sua já brilhante carreira diplomática. Em 1898 foi nomeado par
do reino, tomando posse no respectiva câmara no dia 17 de Março;
em 1900 recebeu a mercê do título de marquês de Soveral. No ano
de 1903, quando o rei de Inglaterra visitou Lisboa, o marquês de
Soveral fez parte da comitiva real. Em 1907 foi representar
Portugal, na Conferência de Paz, que se realizou em Haia. O
distinto diplomata, depois da implantação da Republica em 1910,
tem-se conservado em Londres, afastado completamente da política.
Transcrito por Manuel Amaral
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