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Xavier Cordeiro (Cândido Celestino).
n: 1844
f: 20 de Janeiro de 1904
Inspector das obras públicas e engenheiro consultor
da Companhia dos Caminhos-de-ferro.
N. em Torres Novas em 1844, fal. em Lisboa a 20 de
Janeiro de 1904.
Era filho de Cândido Joaquim Xavier Cordeiro,
director do dispensário farmacêutico da Universidade de Coimbra.
Toda a sua vida dedicado ás ciências, principalmente ás matemáticas,
formou-se na Universidade nesta faculdade e na de filosofia, no que
se distinguiu de tal forma que apesar do ilustre estudante contar
apenas 22 anos de idade, foi convidado a concorrer a uma cadeira de
lente. Dedicando-se à engenharia, foi completar o seu curso na
Escola de pontes e caladas de Paris, onde também foi estudante
laureado. Apesar, porém, de tão subidas recompensas alcançadas no
estrangeiro, Xavier Cordeiro era duma extrema modéstia,
comprazendo-se unicamente em ser yum trabalhador incansável. Datava
de 1864 a sua carreira pública, e desde então não deixou a sua
opinião de ser seguida e respeitada por colegas e estranhos. Seu
nome figura em primeiro lugar na história dos caminhos-de-ferro de
Portugal, pela grande parte que tomou na sua construção.
Sucessivamente colaborou nos caminhos-de-ferro do Minho e Douro, no
de Mormugão na Índia, na rede a cargo da Companhia dos
Caminhos-de-ferro, na ponte de dois tabuleiros sobre o Lima, no
viaduto de Durrães, no túnel de Tamel, na ponte Maria Pia, na
ponte de D. Luís, na ponte de Lares sobro o Mondego, no túnel e
estação do Rocio, finalmente em todas as obras de maior importância
e beleza, neste género, ele interveio ou como autor, ou como
executor, ou fazendo experiências. O seu conselho era sempre ouvido
na solução dos mais difíceis problemas da engenharia em que era
profundo. Nos ultimes anos entregou se aos seus estudos do projecto
do caminho-de-ferro de Vale do Vouga, projecto que defendeu com
ardor, mas que não chegou a ver realizado. Tanto na Exposição
Universal de Paris de 1900, como nos congressos internacionais,
foram justamente considerados os seus trabalhos, sendo altamente
apreciada a sua colaboração durante 30 anos no jornal da Associação
dos Engenheiros Civis Portugueses, obtendo uma medalha de ouro e
diploma de honra. A Academia Real de Ciências de Lisboa contava-o
no seu grémio, e pela comissão que desempenhou no caminho de
forro, que ele estudou e dirigiu a sua construção em 1883 foi
agraciado com a comenda da ordem de Cristo. Cândido Xavier Cordeiro
era também membro do conselho superior de obras publicas e minas,
inspector dos edifícios públicos, vogal do conselho dos monumentos
nacionais, e membro de muitas comissões de serviço da sua
especialidade, em que era sempre Indispensável o seu concurso.
Deixou muitos trabalhos sobre assuntos de engenharia, não só
nacionais como estrangeiros.
Transcrito por Manuel Amaral
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