As Origens das Ordenanças e das Milícias

2.ª parte

 

A tentativa de Organização militar no reinado de D. João III

A organização teve uma tentativa de renovação em finais dos anos vinte de Quinhentos, devido à crise diplomática com a Espanha provocada pela Questão das Molucas, que teve um primeiro rebate em 1524, quando as conversações em Elvas se romperam. Este momento, decisivo no relacionamento entre os dois países peninsulares, em que Portugal começou a afastar-se da política de colaboração com Espanha iniciada por D. João II na defesa do auto-proclamado monopólio ibérico da navegação no Atlântico Sul, foi-o também na organização das Ordenanças, já que a oposição dos estratos sociais intermédios da Província à integração nas Ordenanças foi enorme e, pelo menos de acordo com os dados actualmente disponíveis, impossível de ultrapassar. 1

 

D. João 3.º

D. João III

Foi novamente preciso esperar três décadas para, no início do governo pessoal de D. Sebastião, com base no aparecimento de um poder central mais forte do que até aí e duma nova teoria do poder real, ultrapassar a oposição das classes privilegiadas dos concelhos e criar uma estrutura que, separando o «povo miúdo» da «gente da governança das terras», e baseando-se nas estruturas locais – sobretudo nos concelhos, mas também nas honras, terras, e outras jurisdições nobiliárquicas – permitisse criar um sistema de recrutamento e instrução militar básica em todo o país.

 

 

 

 

 

 


 1 Em finais de 1525 ou princípios de 1526 apareceram uns Apontamentos que deu Christovam Leitam para a gente da ordenança, que deveriam servir para a sua instrução. Idem, págs.101-103 e nota 79. A crise diplomática entra Portugal e Espanha foi ultrapassada com a assinatura do Tratado de Saragoça de 22 de Abril de 1529, o que levou ao abandono da organização das Ordenanças, "uma ocasião perdida, exemplo dos muitos bloqueios que marcaram o reinado de D. João III", segundo Jean Aubin,  "Le Capitaine Leitão, un sujet insatisfait de D. João III", Revista da Universidade de Coimbra, vol.29 (1983), pág. 34.

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