Professor de Matemática, deputado, ministro,
jornalista, vogal do Conselho Superior de Instrução Pública,
etc.
N. em Abrigada a 25 de Junho de 1836. É filho
dum medico muito conhecido das Caldas da Rainha.
Seu pai o destinou a farmacêutico, e em 1850,
aos 14 anos, matriculava-se na Escola Politécnica de Lisboa,
seguindo depois o curso de farmácia, em que se houve com muita
distinção. Aos 18 anos havia concluído o curso, e foi praticar
para uma farmácia, que pouco depois abandonou, para voltar à
Escola Politécnica a seguir o curso de Matemática, o qual
concluiu. Estava na Escola de Exercito cursando as cadeiras
complementares para a engenharia militar, quando ganhou em
brilhantes concursos o lugar de repetidor deste instituto, e no ano
seguinte o de lente substituto das cadeiras de Matemática na Escola
Politécnica, por decreto de 22 de Abril de 1863, sendo promovido em
1877 à propriedade da primeira cadeira. Hoje é professor jubilado
da referida Escola.
Em 1864 começou a sua vida jornalística,
escrevendo uns notáveis artigos na Gazeta de Portugal, jornal que o
falecido escritor Teixeira de Vasconcelos fundou neste ano,
revelando-se desde logo um hábil polemista, estudando as questões
com profundo critério e grande interesse, conservando se nesta
redacção até 1867. Fundou depois o Noticias, as Novidades,
o Correio Portuguez, e por fim o Diario Popular, que
ainda hoje existe, e que teve grande popularidade pelo vigor dos
artigos e pela violência das controvérsias. Filiando-se no partido
reformista, presidido pelo bispo de Viseu, D. António Alves
Martins, o Sr. Mariano de Carvalho foi eleito deputado pela primeira
vez em 1870, pelo circulo da Chamusca, na legislatura que começou a
31 de Março e findou, pela dissolução, em 21 de Julho.
Representou ainda o referido círculo nas legislaturas de 1870-1871,
de 1871-1874 e de 1875-1879; na seguinte legislatura, 1879-1880, foi
eleito por um dos circules do Porto; na de 1881-1884 representou o
círculo de Timor, e na seguinte legislatura o do Cartaxo. No ano de
1876 acompanhou os seus amigos políticos na fusão com o partido
histórico, em resultado do pacto da Granja, que formou o partido
progressista.
Foi pela primeira vez ministro, encarregando-se
da pasta da fazenda, no gabinete presidido pelo Sr. José Luciano de
Castro, por decreto de 20 de Fevereiro de 1886, funções que
exerceu até 23 de Fevereiro de 1889. Novamente chamado aos
conselhos da Coroa. para a mesma pasta da fazenda, por diploma de 21
de Maio de 1891, só assumiu o cargo a 9 de Junho, e exercendo-o
até 17 de Janeiro de 1892, geriu também interinamente a pasta do reino desde 27
de Julho até 14 de Novembro de 1891. Sendo o país representado na
exposição universal de Paris em 1889 pela Real Associação de
Agricultura e pela Associação Industrial Portuguesa, o Sr.
conselheiro Mariano de Carvalho foi o representante do governo como
fiscal destas associações. Em Junho de 1890 partiu para as nossas
possessões da África Oriental e Ocidental, a bordo do vapor Malange,
em comissão do governo, numa viagem de estudo, donde regressou
a 10 de Dezembro do referido ano, apresentando ao governo relatórios
em que deu conta do desempenho da sua comissão, os quais se
publicaram pelo ministério da marinha. Desembarcando em Lisboa,
teve uma brilhante recepção. No teatro da Trindade realizou-se no
dia 24 do referido mês um sumptuoso banquete oferecido por uma
comissão de amigos do apreciado estadista, presidido pelo Sr.
conselheiro Silva Amado, a que também assistiram os Srs.
conselheiros José Luciano de Castro e Júlio de Vilhena. No
Congresso Vinícola Nacional, promovido pela Real Associação da
Agricultura Portuguesa, que se realizou nos dias 5, 6, 7 e 8 de
Fevereiro de 1900, com a assistência de 4.000 congressistas de
todos os pontos do país, o Sr. Mariano de Carvalho foi o
representante do sindicato agrícola de Montemor. A este congresso
presidiu na abertura dos trabalhos S. M. El-Rei Senhor D. Carlos, e
assistiram Suas Majestades as Rainhas e o Senhor Infante D.
Afonso.
Foi o Sr. conselheiro Mariano de
Carvalho um dos homens que mais têm contribuído para o
desenvolvimento de Cascais, e a quem se deve particularmente a linha
férrea que tanta importância deu a esta vila; também pensou no
plano dum porto franco, e duma linha férrea, que pela Marinha
seguisse a Colares. Militou sempre no partido progressista, porém há
tempo afastou se dele declarando-se independente. Nas colecções do
Diário do Governo e do Diário
das Cortes encontram-se do Sr. conselheiro Mariano de Carvalho
muitos projectos e propostas de lei, sendo alguns antecedidos de
extensos relatórios e discursos.
Além dos seus trabalhos parlamentares e
jornalísticos, traduziu para alguns editores o seguinte: O homem
da orelha quebrada, 1 vol., Lisboa, 1868, publicado pela
antiga empresa da Bibliolheca dos dois mundos; Aventuras de três russos e de três
ingleses, Viagem ao centro da terra, O
país das peles e A galera Chanceler, obras de Júlio Verne, publicadas nas colecções
do falecido editor David Corazzi; A bola
de sabão, comédia em 3 actos, traduzida do italiano, que se
representou com muito êxito no teatro do Gymnasio, e se publicou em
1816; a Questão dos tabacos,
discursos proferidos na camara dos senhores deputados nas sessões
de 12, 13 e 15 de abril de 1889, etc. Lisboa, 1889; Questões
de hoje, os planos financeiros do sr. Marianno de Carvalho, edição
gratis, Lisboa, 1893. É uma série de artigos publicados no Diario
popular desde Fevereiro até Abril do mesmo ano, com uma introdução
escrita por Mariano Pina. Esta edição foi feita a expensas de
amigos políticos e pessoais do autor, segundo vem declarado no
verso do frontispício.
Transcrito por Manuel Amaral