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Lacerda (Gonçalo Pereira
de).
n.
f.
Natural
da ilha do Faial, filho do capitão António Pereira Caranta, que,
ao ter notícia da aclamação de D. João IV, mandou seus dois
filhos servir na guerra da Restauração. Gonçalo Pereira de
Lacerda serviu no corpo de Ordenanças da sua terra por espaço de
quinze anos, acudindo nas ocasiões de rebate; tomou parte no cerco
do castelo de Angra, defendido por 500 soldados espanhóis sob o
comando de D. Álvaro de Viveiros; e em 1642 embarcou para Portugal
com o general António de Saldanha, passando ao Alentejo, onde
serviu com armas e cavalos, à sua custa, na fronteira de Campo
Maior. Daí tomou parte nas sortidas que em 10 de Maio e 11 de Julho
de 1643 se fizeram por Castela dentro, pelejando nos recontros que
houve com o inimigo, dando sempre provas do seu valor. Foi cavaleiro
professo do hábito de Cristo, por D. João IV, em memória dos
seus serviços, com promessa de mercê duma comenda de 30.000 réis
na mesma ordem. A carta régia, que tem a data de 20 de Abril de
1645, citando aqueles serviços, acrescenta: “É da mesma maneira
proceder em todas as facções que se obraram na primeira entrada
que por suas terras fez o exército; e em tudo o mais que o
governador das armas executou em diferentes praças da Andaluzia; e
nas investidas e assaltos de 27 de Abril, 12 e 18 de Maio do ano
passado de 1644, obrar com igual valor… E na batalha que com eles houve no campo de Montijo ter feito
sua obrigação, depois de lhe matarem o cavalo e o deixarem a ele
também por morto de dezasseis feridas que recebeu no rosto e mais
partes do corpo...” Foi encontrado por um criado e um escravo
seus, entre os mortos de cavalo. Regressando aos Açores casou na
Vila das Velas com D. Isabel de Azevedo, neta de Gonçalo de
Amarante, o velho, que
fora capitão-mor da ilha no tempo de D. António, Prior do Crato.
Transcrito por
Madalena Morais David
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Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Volume
IV, págs. 12-13.
Edição em
papel © 1904-1915 João Romano Torres - Editor
Edição electrónica © 2000-2010 Manuel Amaral |