Portugal - Dicionário
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Lobo (Francisco José da Costa).    

n.   1811.
f.    8 de Dezembro de 1865.

Deputado, par do reino, capitalista, presidente da Associação Comercial de Lisboa, etc. N. em Lamego em 1811, fal. em Lisboa a 8 de Dezembro de 1865. Era filho de pais humildes.

 Revelando desde criança uma viva inteligência, foi estudar para Coimbra, mas as lutas civis da Liberdade, o obrigaram a interromper os estudos, que nunca mais continuou. Tendo então granjeado alguns bens de fortuna, estabeleceu-se no Porto, em 1834, como negociante de vinhos, tornando-se logo distinto na sua classe, pela sua inteligência, probidade, e conhecimento dos negócios. Em 1845 fazia parte da direcção do Banco Comercial do Porto e da Companhia da Agricultura das Vinhas do Alto Douro. Os accionistas dedicavam-lhe a mais plena confiança, que muito se justificava pela firmeza e prudência de que deu provas na época da revolução conhecida por Maria da Fonte, quando o Porto estava no poder dos insurgentes, decididos a sustentarem uma luta tenacíssima contra o governo. Costa Lobo conservou se no Porto à frente desses estabelecimentos, dirigindo-os com raro acerto em época tão revoltosa. 

No referido ano de 1845 a província do Douro o elegeu seu deputado, sendo, porém, esta câmara dissolvida, tornou a elege-lo para a legislatura de 1846, mas esta câmara também se dissolveu, e em 1848 as duas províncias, Douro e Trás-os-Montes, o apresentaram como seu representante em cortes, pela máxima confiança e consideração que lhe merecia um homem que dera provas de tanta competência e energia nas circunstancias difíceis em que se encontrara no Porto. Em 1851 foi o círculo de Lamego que o elegeu deputado para as cortes constituintes que se iam reunir. Levantou-se, porém, a questão da sua elegibilidade, entendendo nessa ocasião a maioria que a não tinha, por ser um dos caixas do Contrato do Tabaco. Por este facto não se verificou a eleição, e só em 1858, quando acabou o Contrato, que até então estivera vigente, é que voltou ás assembleias legislativas tendo sido sucessivamente eleito pelos círculos do Porto e de S. João da Pesqueira. A 17 de Maio de 1861 foi eleito par do reino. Teve também a carta de conselho, foi membro da Junta do Comércio e Indústria, junto do ministério das obras públicas, e durante alguns anos presidente da Associação Comercial de Lisboa. Durante a epidemia da febre-amarela, que assaltou a capital em 1857, prestou serviços muito importantes, sendo membro duma comissão encarregada de prover ao sustento económico e higiénico das classes indigentes. O relatório dessa comissão mereceu que o ministro do reino, então. o marquês de Loulé, o elogiasse numa portaria de louvor em termos extremamente honrosos.

 

 

Transcrito por Manuel Amaral

 

 

Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Volume IV, pág. 464

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