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Luz Fernandes (António José da).
n. 8 de Setembro de 1816.
f. 10 de Janeiro de 1887.
Director geral da repartição taquigráfica da Câmara
dos Deputados.
N. em 8 de Setembro de 1816,
fal. em 10 de Janeiro de 1887.
Dedicou-se muito ao estudo da
taquigrafia, para que tinha a maior vocação. A taquigrafia começou
a desenvolver-se em Lisboa por ocasião das Cortes de 1820, sendo
nomeado professor régio o espanhol Ângelo Ramon Marti. Foi ele
quem ensinou José Sérvulo da Costa, Freineda e muitos outros, que
se tornaram taquígrafos distintos. Em 1834, quando se reuniram as
primeiras Cortes depois de implantado o sistema representativo, foi
Sérvulo da Costa, então taquigrafo-mor, encarregado de reger a
aula de taquigrafia, e no primeiro de Novembro do mesmo ano,
precedendo a concurso, admitiram-se oito praticantes para a Câmara
dos Deputados, sem vencimento, recebendo apenas no fim da sessão
uma gratificação de 50$000 réis. Nesse número entrou Luz
Fernandes. Em 1835, por proposta aprovada em sessão nocturna, começou
a vencer o ordenado de 300$000 réis. Em 1837 foi nomeado primeiro
taquigrafo, e em 1848, por morte de Júlio José da Silva, chefe da
repartição taquigráfica da Câmara dos Deputados, foi nomeado
para exercer este cargo. Em 1854, além da aula de taquigrafia que
estava estabelecida na Câmara dos Pares, criou-se outra na dos
Deputados, sendo António da Luz Fernandes o encarregado de a reger,
tendo por substitutos Francisco Emídio da Silva, sub-chefe da
repartição taquigráfica, e Clemente José dos Santos, primeiro
taquigrafo. O governo reconhecendo os valiosos serviços prestados
à taquigrafia por Luz Fernandes, que pelos seus esforços
conseguira o seu grande desenvolvimento, concedeu-lhe o hábito da
Ordem de N. Sr.ª da Conceição. Mais tarde, sendo presidente do
Conselho de Ministros o bispo de Viseu D. António Alves Martins,
foram suprimidas por decreto de 15 de Abril de 1869, a título de
economias, as aulas de taquigrafia que existiam nas duas Câmaras,
ficando por consequência dispensados do serviço os respectivos
professores. Anos depois foi reconhecida a urgente necessidade de
restaurar o curso de taquigrafa, e estabeleceu‑se uma só aula
sob a dependência das duas câmaras, em Julho de 1882,
sendo nomeado Luz Fernandes seu professor, cargo em que se
conservou até à data do falecimento.
Transcrito por Manuel Amaral
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