|
Alves da Veiga (Augusto Manuel).
n.
[1850].
m.
[1924].
Foi um dos republicanos que
fizeram a revolta do Porto, em 31 de Janeiro de 1891.
Formou-se em direito na
Universidade de Coimbra, no ano 1874, tendo feito o curso com a
maior distinção; enquanto estudante deu sempre provas de grande
inteligência e dedicação ao estudo, obtendo as classificações
devidas aos seus méritos provados. Era nessa época muito dado a
estudos filosóficos e metafísicos, de que é modelo um trabalho
escolar, publicado quando frequentava o terceiro ano do curso; neste
opúsculo mostrava-se favorável à doutrina de Kant. Foi por essa
mesma ocasião que fez a sua profissão de fé republicana, tendo
redigido um semanário intitulado Republica portugueza, em
que também colaboraram os Sr. Magalhães Lima, Alves Morais, Lopes
de Mello, Álvaro de Mendonça, Almeida Ribeiro, ainda estudantes,
Manuel de Arriaga, Silva Pinto e Albano Coutinho. No começo da sua
vida de estudante, redigira igualmente um periódico chamado: o
Lyceu; o Dr. Alves da Veiga nasceu em Mirandela, em 1850, e é
filho dum abastado lavrador.
Quando deixou a Universidade, foi
instalar no Porto, onde estabeleceu banca de advogado, e onde casou.
O professorado também o atraiu; e a ele consagrou uma parte do seu
tempo. Mas o que mais o entusiasmava era a propaganda republicana,
à qual dedicou todos os sacrifícios. Fundou no Porto um jornal
para advogar as suas ideias, com o título: A Discussão, que
durou pouco tempo, e nem uma hora sequer deixou de cumprir o seu
dever de democrata sincero e devotado. Orador eloquente tomou parte
em quase todos os comícios e reuniões que por esse tempo se
realizaram no país. A sua palavra era escutada religiosamente e
sempre aplaudida como a dum apóstolo. Em 1875 e 1876, quando fixou
a residência no Porto, foi um dos redactores da Actualidade,
jornal que se publicou pare se fundar o centro eleitoral
republicano, e na lista do governo provisório figura o seu nome.
Propôs se como candidato republicano pelo Porto, mas perdeu a eleição.
Nessa época, além de exercer a advocacia, leccionava também
particularmente algumas das matérias que constituem o curso dos
liceus. Quando ardeu o teatro Baquet, em Março de 1888, o Dr. Alves
da Veiga recebeu em sua case a rainha senhora D. Maria Pia, que foi
ver ali uns desgraçados órfãos, que ele recolhera. Foi
companheiro do Sr. Magalhães Lima numa viagem ao estrangeiro, em
1890.
Na revolta de 31 de Janeiro de 1891, de que foi uma das
figures primaciais, leu das janelas da câmara municipal a proclamação
do novo governo ao povo. Tendo-se malogrado a revolução, emigrou
para Paris, onde se conserva, sendo advogado dos consulados
portugueses e brasileiros, continuando sempre a entregar-se aos seus
estudos predilectos.
Transcrito por Manuel Amaral
|

|
|