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Amarante (Francisco
da Silveira Pinto da Fonseca Teixeira., 1.º conde de).
n. 1 de Setembro de
1763.
f. 27 de Maio de 1821.
Moço
fidalgo com exercício na Casa Real e fidalgo cavaleiro; 9.º senhor
donatário das Honras de Nogueira e S. Cipriano; senhor do morgado
do Espírito Santo na vila de Canelas; comendador de Santa Marinha
de Rio Frio da Carregosa, no bispado do Miranda, na ordem de Cristo;
grã-cruz da ordem de Cristo, da antiga ordem da Torre e Espada, e
da ordem militar de S. Fernando e Mérito da Espanha; tenente
general do exercito, governador das armas da província de Trás-os-Montes,
durante o período da invasão francesa.
N.
na vila de Canelas a 1 de Setembro de 1763, f. em Vila Real a 27 de
Maio de 1821. Era filho de Manuel da Silveira Pinto da Fonseca e de
D. Antónia Silveira.
Assentou
praça de cadete no regimento de cavalaria de Almeida em 25 de Abril
de 1780, foi promovido a alferes do mesmo regimento a 27 de
Fevereiro de 1790, a tenente do regimento de cavalaria n.º 6, então
chamados os ligeiros de Chaves, a 17 de Dezembro de 1792, a
capitão e ajudante de ordens do marechal de campo e governador das
armas da província da Beira, João Brun da Silveira, a 17 de
Dezembro de 1799. Sucedeu ao morgado de Espírito Santo e na casa de
seu pai, a 22 de Fevereiro de 1785. Por ocasião da guerra contra a
França e Espanha, em 1801, Francisco da Silveira, com outras
pessoas importantes da sua província, levantou um corpo de voluntários,
de que foi sargento-mor, o qual figurou somente na empresa de
Monterei, ordenada por Gomes Freire de Andrade. No
entretanto, em recompensa dos serviços prestados nessa época, foi
promovido à efectividade de sargento-mor para o seu regimento de
cavalaria n.º 6, e a tenente-coronel em 14 de Março de 1803.
Comandava
aquele corpo de cavalaria, em 1807, quando houve ordem para todo o
exército português marchar das fronteiras do reino para o litoral.
Achava-se em Aveiro, quando em Dezembro do mesmo ano, foi chamado a
Coimbra para testemunhar a aniquilação dos regimentos de cavalaria
6, 9, 11 e 12, efectuada naquela cidade por ordem do general Junot.
Alcançou do governo francês a sua demissão, e partiu logo para o
Porto com o propósito de se evadir para bordo da esquadra inglesa,
donde tencionava passar ao Brasil. O seu plano ficou malogrado, e
dirigiu-se então para Vila Real, onde posteriormente foi um dos
fautores da aclamação do governo legítimo em 1808. A junta do
supremo governo do Porto recompensou este serviço em 21 de Julho
daquele mesmo ano com a patente de coronel do seu antigo regimento
de cavalaria n.º 6. Ainda no mesmo ano, e na qualidade de
comandante da vanguarda no exército de Bernardim Freire, marchando
do Porto sobre a capital, foi promovido pelos governadores do reino,
ao
posto de brigadeiro, para
depois lhe confiarem o governo militar da província de Trás-os-Montes,
por carta régia de 15 de Fevereiro de 1809. Faltando-lhe elementos
para impedir que o marechal Soult invadisse a referida província,
Francisco Silveira saiu da praça de Chaves em retirada para Vila
Pouca de Aguiar, donde em breve regressou a Chaves, apenas soube que
o marechal Soult se dirigia para Salamonde e Carvalho de Este. Foi o
primeiro general português que alcançou vitória contra as
disciplinadas e aguerridas tropas francesas, no entretanto,
Silveira, dispunha de pouca tropa de linha portuguesa, sendo a maior
parte das forças do seu comando duas brigadas de valorosos
milicianos e voluntários transmontanos. Foi com estes destemidos
portugueses que retomou a praça de Chaves, entrando nela com os
regimentos 12 e 14 de infantaria e regimentos de milícias de
Miranda e Moncorvo, dispostos a tomar a praça por assalto, e
ocupando várias posições de ataque e sustentação dele os
regimentos de milícias de Lamego e Bragança; bem como os de Chaves
e Vila Real. Havendo retomado a praça, Silveira encontrou-se na
defesa da ponte de Amarante contra as tropas do general Loison. Esta
defesa foi heróica, disputando a passagem de forças muito
superiores do exército francês, opondo-se-lhe com a maior bravura
à frente dos regimentos de milícias de Chaves, Vila Real e
Miranda, e quatro peças de artilharia. Há quem diga, que no fim de
tão brilhante defesa, o general Silveira se deixara surpreender,
vendo-se obrigado a retirar sobre Entre-os-rios. O que passa por ser
verdade é que as tropas francesas conseguiram surpreender pela
retaguarda as baterias da ponte, servindo-se do auxílio dalguns
traidores portugueses, e principalmente protegidas pela espessíssima
névoa que nessa manhã cobria o rio Tâmega.
O facto é que o general
Silveira se bateu valentemente e que foi promovido a marechal de
campo na ordem do dia de 21 de Maio de 1809, em contemplação
do zelo e patriotismo com que se havia conduzido, e quando
chegou à corte do Rio de Janeiro a fama dos seus serviços o príncipe
regente agraciou-o com o título de conde de Amarante, em 13 de Maio
de 1811, tendo a carta a data de 28 de Junho seguinte e assentamento
em 1 de Fevereiro de 1812. Continuando a defender, como governador
das armas, a província de Trás-os-Montes, travou combate com os
franceses nas vizinhanças da Puebla de Senabria, no dia 4 de Agosto
de 1810, em que ficou vencedora a cavalaria portuguesa comandada
pelo capitão Francisco Teixeira Lobo; nesse combate também
entraram as duas brigadas, já mencionadas, de valentes milicianos e
um batalhão de caçadores voluntários de Montalegre, acompanhados
por duzentos soldados de cavalaria 12. No dia 10 do referido mês
houve outro combate, em que o general Silveira, de acordo com o
general espanhol Taboada, aprisionou um batalhão suíço, que em
força de quatrocentos homens guarnecia o castelo de Senabria. Até
ao fim da guerra peninsular, o general Silveira continuou sempre
dando provas da maior bravura, tomando parte na acção de Valverde,
em 14 de Novembro de 1810, na defesa de Pinhel, na ponte de Abade do
lado de Trancoso, em 31 de Dezembro, na vila da Ponte, em 11 de
Janeiro de 1811, em que teve de retirar-se para Lamego e atravessar
o Douro, com bastante perda de gente. A 5 de Fevereiro de 1812, foi
promovido a tenente general. Terminada a campanha, voltou ao seu
antigo lugar de general das armas da província de Trás-os-Montes.
O conde de Amarante foi um dos generais mais notáveis do exército
português que entraram na guerra peninsular.
Quando no Porto rebentou a
revolução liberal de 24 de Agosto de 1820, a junta provisória
daquela cidade pretendeu aliciar o conde de Amarante. O conde, porém,
recusou-se e reunindo em Chaves as tropas da província para
combater a revolução, seu cunhado, Gaspar Teixeira de Magalhães e
Lacerda, conseguiu chamá-las ao serviço da junta do Porto. Este
facto causou inconsolável desgosto ao conde de Amarante, que saiu
logo de Chaves, retirando-se a Ponte de Lima, recolhendo-se por fim
a Vila Real, onde faleceu em Maio do ano seguinte, vítima duma moléstia
de peito. Por disposição testamentária foi o seu cadáver
amortalhado com o hábito de frade franciscano, entoando-se-lhe um
oficio de corpo presente por seis padres, e conduzido da igreja de
S. Dionísio de Vila Real para Canelas, onde ficou sepultado em
jazigo de família, na capela do Espírito Santo.
O conde de Amarante casara a
16 de Abril de 1781 com D. Maria Emília Teixeira de Magalhães e
Lacerda, filha de António Teixeira de Magalhães e Lacerda, senhor
da casa da Calçada em Vila Real, e de sua mulher, D. Ana Teresa
Pereira Pinto de Azevedo Souto Maior, terceira senhora do morgado de
Celeiros. Deste matrimónio houve três filhos: Manuel da Silveira
Pinto da Fonseca, que foi 2.º conde de Amarante e 1.º marquês de
Chaves (V. este nome); Miguel
da Silveira, 2.º tenente da armada real que morreu assassinado no
antigo Colégio dos Nobres; e D. Mariana da Silveira, que foi a 1.ª
viscondessa de Várzea, por ter casado com o 1.º visconde daquele título,
Bernardo da Silveira Pinto da Fonseca (V. Várzea).
Além das honras e dignidades que apontamos, o conde de Amarante
era condecorado com a medalha de sete campanhas da guerra
peninsular, com as medalhas inglesas e espanholas por acções e
batalhas durante a mesma guerra, e com a cruz de ouro de comando.
António da Silveira Pinto da Fonseca, irmão do conde de Amarante,
foi agraciado por D. João VI, em 1823, com o título de visconde de
Canelas. V. este titulo.
Transcrito por Manuel Amaral
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