Portugal - Dicionário
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Barbosa Machado (Inácio).

n.   31 de Março de 1682.
f.    9 de Agosto de 1772.

 

Doutor em direito civil pela Universidade de Coimbra, desembargador da Relação do Porto, ministro do Tribunal da Legacia, cronista geral do Ultramar, etc. 

N. em Lisboa a 23 de Novembro de 1686, fal. na mesma cidade a 28 de Março de 1776. Era filho de João Barbosa Machado, e de D. Catarina Barbosa, irmão mais novo de D. José Barbosa e de Diogo Barbosa Machado.

Depois de estudar filosofia na Congregação do Oratório, em que defendeu conclusões públicas, foi matricular-se na Universidade de Coimbra, onde se aplicou ao estudo de Jurisprudência Civil, em cuja faculdade se formou em 1716. Depois foi despachado juiz de fora de Almada, passando mais tarde a exercer o mesmo cargo na cidade da Baía. Regressando ao reino, teve a nomeação de provedor da comarca de Setúbal. Casou com D. Mariana de Meneses e Aragão; por morte desta senhora, preferiu entregar‑se à vida eclesiástica, e recebeu ordens de presbítero, a 21 de Dezembro de 1734. Foi desembargador da Relação do Porto, por decreto de D. João V, passado a 3 de Julho de 1748; cronista geral de todas as províncias ultramarinas, por decreto do rei D. José, passado a 21 de Outubro de 1752, e colector de todos os regimentos, leis, ordens, que se expediam para bem da fazenda, e justiça a todas as províncias ultramarinas desta coroa, por decreto de 9 de Outubro de 1753; ministro do tribunal da Legacia; e académico da Academia Real de História. 

Escreveu: Panegyrico historico do serenissimo sr. infante D. Manuel, em que se descrevem as gloriosas acçoens que tem obrado na paz e na guerra, depois que sahio do Reyno de Portugal até o fim da victoriosa Campanha de Hungria do anno passado de 1716, e de como foy tratado em diversas Cortes da Europa, Lisboa, 1717; Noticia da Entrada publica, que fez na Côrte de Pariz em 18 de Agosto de 1715 o ex.mo Conde da Ribeira. Grande, D. Luiz Manuel da Camara, Lisboa, 1716, sem o nome do autor; Panegyrico á immortalidade do Ex.mo sr. Manuel Carlos de Tavora, conde de São Vicente, do Conselho de S. Magestade, e general de Batalhas da Armada Real, &c., em que se louvão as gloriosas acçoens do seu animo, e se relata a insigne Victoria naval, que alcançou dos Turcos nos mares da Grecia, Lisboa, 1718; saiu com o nome de Valeriano da Costa Freire; Nova relação das importantes victorias, que alcançarão as armas portuguezas na India, e da gloriosa paz que se ajustou com alguns de seus inimigos, logo que chegou o vice‑rei do Estado, o Ex.mo D. Luiz de Menezes, quinto Conde da Ericeira, primeiro marquez do Louriçal, Lisboa, 1742; saiu com o nome de Jacinto Machado de Sousa; Pratica recitada no Paço a 9 de Dezembro de 1784, com que congratulou a Academia Real de ser eleito seu Collega; saiu no tomo XIII da Colecção dos Documentos da Academia Real, de 1734 ; Fastos Politicos e Militares da antigua e nova Lusitania, em que se descrevem as acçoens memoraveis, que na paz, e na guerra obrarão os Portuguezes nas quatro partes do mundo; tomo I, Lisboa, 1745 ; eram distribuídos por meses, à semelhança do Anno historico, do Padre Francisco de Santa Maria, excluindo, porém, tudo o que especialmente dizia respeito às coisas eclesiásticas em harmonia com o título adoptado; o 1.º tomo compreende os meses de Janeiro e Fevereiro; do segundo, não consta que se imprimisse mais de 280 pág., que chegam somente a 19 de Março. A publicação desta obra ocasionou grande polémica entre o seu autor e o continuador do Anno historico o Padre Lourenço Justiniano da Anunciação (V. Anunciação), terminando afinal com a obra de Barbosa Machado, que tem por titulo: Vindicias Apologeticas contra o Prologo Anti‑critico que escreveo o Padre Doutor Lourenço Justiniano da Annunciação, Conego Secular do Evangelista, impugnando a Dissertação e Appendix dos «Fastos politicos e militares da Lusitania,» Paris, 1760. Escreveu mais: Relação da enfermidade, ultimas Acçoens, Morte e Sepultura do Muito Alto e Poderoso Rey, e Senhor D. João V,. o pio, magnanimo, pacifico, custo, religioso, e por declaração pontificia o fidelissimo á Egreja Romana, Lisboa, 1750; saiu com as iniciais D. I. B. M. D. P. A. A. R., que parece quererem dizer Doutor Ignacio Barbosa Machado. Desembargador do Porto, Academico da Academia Real; Historia Critico‑Chronologica da Instituição da Festa, Procissão, e Officio do Corpo Santissimo de Christo no Veneravel Sacramento da Eucharistia ... Mostra‑se uma distincta e panegyrica relação da magnificencia, ornato e sumptuosos edificios, com que n'esta côrte de Lisboa; por ordem de Sua Magestade, celebraram os ecclesiasticos e seculares em 8 de Junho n'este anno de 1719, Lisboa, 1759. 0 autor dá no prologo a razão da estranheza que poderia causar a serôdia impressão desta obra, escrita 40 anos antes. É uma bela edição, feita com esmero pelo tipógrafo Ameno, e dela se tiraram alguns exemplares em papel de grande formato. Ainda publicou: Theatro Historico, Universal, e Chronologico de todas as Provincias Ultramarinas do nosso Reino, ou Annaes Ecclesiasticos, Politicos e Militares de Africa, Ásia, e America portugueza, dividido em quatro volumes. O autógrafo desta obra que ficou inédita, dizem, que existe na Biblioteca Nacional de Lisboa. Também em manuscrito, deixou: Descripção Topographico‑Architectonica do famoso, e magnifico Aqueducto, que por ordem do Serenissimo Rey D. João V se erigio e fabricou para condução das salutiferas, e copiosas aguas livres, e de outras fontes a esta grande Côrte, e Cidade de Lisboa; 0fferecido ao mesmo Monarca, e por sua ordem escrita. em o anno de 1745. Segundo se lê no tomo X do Diccionario bibliographico, a pág. 49, parece que se lhe pode atribuir o seguinte opúsculo, publicado com as iniciais: D. D. I. B. M. S. R. P. C. M. P.: Crisol critico, balança da verdade e invectiva apologetica, em que se refutam as doutrinas de um papel manuscrito, que de Evora se remetteu a esta côrte; interlocutores um confessor orthodoxo e outro confessor rigorista, Sevilla, en Ia imprenta Real, sem ano. Estas indicações devem ser supostas, porque a obra foi decerto impressa em Lisboa, pelos anos de 1746. Este papel pertence à Collecção universal de papeis relativos ao sigillismo, onde foi reimpresso.

 

 

Transcrito por Manuel Amaral

 

 

Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Volume II, págs. 108-109.

Edição em papel © 1904-1915 João Romano Torres - Editor
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