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Bragança (D. Leonor de).
n. [ c. 1480 ]
f. 2 de Novembro de 1512.
Casada com o 4.º duque deste título, D. Jaime
I.
Era filha de D. João de Gusmão, 3.º duque de
Medina Sidónia, e da duquesa, sua primeira mulher, D. Isabel
Velasco. 0 casamento foi contratado em 1500, e realizou-se em 1502.
Passaram-se dez anos sem que se notasse entre os dois esposos facto
algum digno de menção. Em 2 de Novembro de 1512, D. Jaime,
suspeitando que sua mulher entretinha relações amorosas com António
Alcoforado, fidalgo de sua Casa, mandou-o prender, num acesso de ciúme,
ordenou ao seu capelão que o fosse confessar, e logo depois da
confissão o mandou matar no próprio palácio de Vila Viçosa. (V. Alcoforado,
António). A duquesa, ouvindo grande ruído, correu muito
assustada aos seus aposentos em busca dos filhos, e sobre a cama em
que eles estavam encontrou o duque. Apenas a viu, o desvairado
fidalgo mandou novamente chamar o capelão para a confessar. Quando
o capelão saiu, D. Jaime voltou para junto da duquesa, resolvido a
matá-la, porém D. Leonor, com a maior coragem, lhe perguntou de
que provinha aquele furor, porque intentava tirar-lhe a vida. 0
duque respondeu prontamente, que ela lhe fora traidora, que manchara
a sua dignidade. Não sou traidora, respondeu altivamente a duquesa,
nem meus avós o foram nunca. E apresentando varias razões, chegou
quase a convence-lo da sua inocência. 0 duque saiu do quarto, e
encontrando a poucos passos um dos seus criados, Pedro Vaz, que de
novo lhe influiu no animo suspeitas contra a honra da duquesa,
voltou a encontrar-se com ela, e sem admitir a menor reflexão, a
apunhalou. 0 cadáver da desditosa senhora foi sepultado na igreja
de N. Sr.ª da Serra de Montes Claros, sendo mais tarde, por ordem
de D. Teodósio II, trasladado para o mosteiro da Esperança, em
Vila Viçosa.
Transcrito por Manuel Amaral
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