n. 3 de Março de 1829.
f.
Poeta contemporâneo, 2.º
oficial da 1.ª repartição da direcção geral do comércio e
industria, sócio da Academia Real das Ciências.
N. a 3 de Março
de 1829 em Bilbau, nas províncias vascongadas, e foi criado em
Deusto, pequena e risonha povoação assentada sobre o rio, a uma légua
da cidade. Era filho de Francisco de Bulhão Pato, poeta e fidalgo
português, e de D. Maria da Piedade Brandy.
Na sua infância estava
Espanha entregue aos horrores da guerra civil, deram-se os três
cercos de Bilbau, e a família Bulhão Pato depois de sofrer grandes
transtornos e inclemências, decidiu abandonar a casa onde vivia, e
em 1837 retirou-se para Portugal. Os primeiros rudimentos de
leitura, gramática, escrita e de língua francesa, aprendeu-os com
seus pais.
Depois de frequentar o colégio da rua
do Quelhas, matriculou-se na Escola Politécnica em 1845. Desde então,
contando apenas 15 anos, começou a conviver com as primeiras
capacidades literárias e políticas daquela época, como Alexandre
Herculano, Garrett, Andrade Corvo, Latino Coelho, Mendes Leal,
Rebelo da Silva, Gomes de Amorim, Zaluar, etc.; por vezes via-se na
casa de Herculano, em Ajuda, na de Garrett e na de José Estêvão,
onde costumavam reunir-se os homens de letras mais notáveis. Este
convívio desenvolveu-lhe ainda mais o seu estro poético, que desde
criança se manifestara. Os seus versos eram tão espontâneos e tão
naturais, que o consagraram verdadeiro poeta.
Publicou o seu
primeiro livro em 1850, com o título de Poesias de R. A. de Bulhão
Pato; em 1862 apareceu o seu segundo livro, Versos de Bulhão
Pato, e em 1866 o poema Paquita. Estes livros tiveram um
grande sucesso literário, Acerca da Paquita, escreveram
Alexandre Herculano e Rebelo da Silva palavras muito elogiosas.
Publicaram-se depois, em 1867 as Canções da Tarde; em 18 70
as Flôres agrestes; em 1871 as Paizagens, em prosa;
em 1873 os Canticos e satyras; em 1881 o Mercador de
Veneza; em 1879 Hamlet, traduções das tragédias de
Shakespeare, de Ruy Blas de Victor Hugo, 1881 seguindo-se
outras publicações: Satyras, Canções e Idyllios; o Livro do
Monte, em 1896, de que a imprensa muito se ocupou. Para o
teatro, parece que escreveu apenas uma comédia em 1 acto, Amor
virgem n'uma peccadora, que se representou no teatro de D. Maria
em 1858, sendo publicada nesse mesmo ano. O Sr. Bulhão Pato tem
sido colaborador em diferentes jornais: Pamphletos, 1858; a Semana,
Revista Peninsular, Revista Contemporanea, Revista Universal, etc.
Duas vezes foi convidado para deputado, mas sempre se recusou. A sua
biografia encontra-se na Revista Contemporanea, 1.° vol., de
1861, a pág. 539, escrita por L. A. Rebelo da Silva, e no Occidente,
vol. XIV, de 1891, pág. 10 e seguintes, escrita pelo sr. conde
de Valenças. No Occidente de 15 de Dezembro de 1896 e números
seguintes, também se encontra um artigo do Sr. Zacarias de Aça
acerca do Livro do Monte.
Transcrito por Manuel Amaral