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Cunha (Nuno da).
n. 1487.
f. 5 de Março de 1539.
Vedor
da fazenda de D. João III e 10.º governador da Índia.
Era
filho de Tristão da Cunha, embaixador enviado pelo rei D. Manuel ao
papa Leão X, e de D. Antónia de Albuquerque.
N.
em 1487.
Acompanhou
seu pai nesta embaixada, assim como o acompanhou ao Oriente, e
combatendo com bravura na expugnação das cidades de Ojá e Brava,
mereceu ser armado cavaleiro por Afonso de Albuquerque. Acompanhou
também o vice-rei D. Francisco de Almeida na empresa de Panane,
concorrendo e competindo com D. Lourenço de Almeida, filho do mesmo
vice-rei. Regressando ao reino foi nomeado vedor da fazenda real. D.
João III o nomeou depois governador da Índia, para onde partiu em
Abril de 1528. De passagem para Goa destruiu a cidade de Mombaça,
cujo príncipe vexava outros da costa de Moçambique, aliados dos
portugueses, e chegando ao Estado cujo governo lhe fora entregue,
alcançou gloriosos sucessos, assolando a ilha de Beth, dando a
morte a Bahdur, rei de Cambaia, e fundando as fortalezas de Diu,
Chale e Baçaim. 0 assassínio do rei Bahdur foi uma nódoa na vida
gloriosa deste governador, que durante todo o seu prolongado governo
impôs a toda a Índia o terror do nome português.
O
seu governo durou 10 anos, e nenhum durou tanto tempo, nem antes nem
depois, nem governador nem vice-rei. Intrigas forjadas pelos seus
inimigos de que foi vitima, concorreram muito para que D. João III
o quisesse castigar, mandando aos Açores uma armada onde ia um
corregedor com ordem de esperar ali Nuno da Cunha, e de o trazer
preso ao reino. 0 destino, porém, livrou o ilustre governador desta
humilhação, porque faleceu ao dobrar o Cabo da Boa Esperança a 5
de Março de 1539 o navio que o conduzia, sendo o cadáver lançado
ao mar conforme determinara. D. Nuno da Cunha era cego do
olho direito, que perdera num combate de canas.
Transcrito por Manuel Amaral
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Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Volume
II, pág. 1265.
Edição em
papel © 1904-1915 João Romano Torres - Editor
Edição electrónica © 2000-2010 Manuel Amaral |