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Machado Guimarães (Bernardino Luís).
n.
28 de Março de 1851.
f. [ 29 de Abril de 1944. ]
Doutor e lente catedrático de Filosofia na Universidade de
Coimbra, ministro de estado, vogal do Conselho Superior de Instrução
Pública, deputado, sócio correspondente da Academia Real das Ciências,
escritor, deputado, par do reino, actualmente presidente do directório
republicano, etc.
N. no Rio de Janeiro a 28 de Março de 1851, sendo filho do
1.º barão de Joane, António Luís Machado Guimarães, e de sua
segunda mulher, D. Praxedes de Sousa Guimarães.
Vindo para Lisboa, em criança, estudou os preparatórios
no Porto, e matriculou-se em Outubro de 1866 na Universidade em
Matemática, e no 1.º ano recebeu a honra de partido, mas chegando
ao 3.º não prosseguiu. Passando a frequentar o curso de Filosofia,
formou-se em 1873, tendo recebido as honras de 1.º accessit no
curso de Botânica, distinto na 1.ª parte de Física, e o 2.º
accessit no 5.º ano. Continuando a carreira universitária, fez
exame de licenciatura em 14 de Janeiro de 1875, defendeu conclusões
magnas em 9 de Junho de 1876, e doutorou-se no dia 2 de Julho
seguinte. Estando vagas duas substituições na faculdade, concorreu
a elas, e tendo feito as respectivas lições em Janeiro de 1877 e
sido aprovado em primeiro lugar, foi despachado por decreto de 28 de
Fevereiro do mesmo ano, a destinado à regência das 3.ª, 4.ª, 5.ª
e 8.ª cadeiras. Por decreto de 17 de Abril de 1875 foi despachado
lente catedrático de Filosofia, e tendo começado a professar na
Universidade sendo ainda licenciado, era em 1883 lente de
agricultura geral, zootecnia e economia rural na 8.ª cadeira do
curso filosófico.
Durante alguns anos manteve-se entregue apenas
aos seus estudos, e à regência da sua cadeira, cultivando por
dedicação a literatura, mas afastado quase por completo dos
assuntos políticos. Depois filiou-se no partido regenerador, e em
1882 foi eleito deputado pelo círculo de Lamego, fazendo a sua
estreia parlamentar em 1883, na discussão da resposta ao discurso
da coroa, ocupando-se especialmente da instrução pública. Na
legislatura de 1886 foi novamente deputado, sendo eleito por
Coimbra. Em 1890, o corpo catedrático da Universidade o elegeu par
do reino, como representante daquele estabelecimento científico, e
em 1894 tornou a ser eleito, pelos sufrágios dos seus colegas. O
Sr. Dr. Bernardino Machado dedicou-se sempre com mais especialidade
aos assuntos do ensino, tornando-se um apóstolo valioso da instrução
popular. Os principais assuntos de que tratou no parlamento foram a
reforma da instrução secundária, liberdade do ensino, e organização
do Conselho Superior de Instrução Pública, que veio a ser criado
pelo decreto de 23 de Maio de 1884, a instituição dum ministério
de Instrução Pública, que se criou mais tarde em Abril de 1890,
tendo curta duração. Em 1892 foi nomeado vogal do Conselho
Superior de Instrução Pública, tornando-se então deveras notável
a sua actividade como propagandista do ensino, prestando auxilio
valioso às instituições particulares de instrução, entre elas a
Academia de Estudos Livres, que tem há muitos anos os foros de
universidade popular. A maçonaria portuguesa o escolheu para seu grão-mestre,
cargo que exerceu alguns anos. Desempenhou algumas comissões
importantes, entre as quais se conta a de director do Instituto
Industrial e Comercial, e a de representante de Portugal em Madrid,
no congresso pedagógico hispano português americano, nos festejos
da celebração do centenário de Cristóvão Colombo. Foi eleito
vice-presidente nesse congresso, para o qual organizou uma valiosa
colecção de memórias e fotografias dos nossos principais
estabelecimentos de instrução. Foi ministro das obras publicas em
1893, no gabinete presidido pelo falecido estadista Hintze Ribeiro,
e a ele se deve o decreto que autorizou a organização da exposição
industrial portuguesa, que nesse ano se realizou nos salões do
Museu Industrial e Comercial, instalado no edifício dos Jerónimos,
cuja exposição se inaugurou no dia 28 de Julho. Durante o seu
ministério prestou bons serviços entre os quais se contam: a criação
de algumas escolas industriais, o desenvolvimento da sericultura em
Mirandela, Guarda e Coimbra, etc. Publicou três decretos em protecção
ao operariado: regulando o trabalho das mulheres e dos menores nas
fabricas industriais, regulando as bolsas do trabalho, e criando o
tribunal de árbitros-avindores.
Voltou depois à Universidade
continuando na regência da sua cadeira, de antropologia, que foi
criada por sua iniciativa, a única que existe em Portugal, e sendo
eleito presidente do Instituto de Coimbra, consagrou-se com toda a
dedicação ao seu desenvolvimento, dando novo esplendor ao boletim
dessa
instituição, a criando-lhe um magnifico museu. Em 1897 for
o presidente do congresso pedagógico organizado pelo professorado
primário, que se inaugurou em Lisboa no dia 12 de Abril desse
ano.
Os ideais democráticos, que sempre alimentara, pareceram
arraigarem-se-lhe cada vez mais, a então declarou-se abertamente
republicano, tornando-se um dos membros mais influentes do seu novo
partido, apresentando-se em comícios a em conferências de
propaganda. Em 1902 foi elevado a presidente do directório do
partido democrata, lugar em que se conserva. Em 1901 tomou parte
muito activa na greve dos estudantes de Coimbra, que se generalizou
por todo o país, protegendo-os e animando-os, o que o levou a
resignar o seu lugar de lente da Universidade. O Sr. dr. Bernardino
Machado casou em Janeiro de 1882, no Porto, com D. Elzira Gonçalves
Pereira, filha de Miguel Dantas Gonçalves Pereira, antigo deputado.
Colaborou nos Estudos cosmologicos, jornal que se publicou em
Coimbra, 1871, e no Instituto de Coimbra, onde além de
outros trabalhos, inseriu em 1875, tomos 21, 22 e 23, a dissertação
para o acto de licenciatura, com o título: Theoria mechanica da
reflexâo a da refracção da luz (segundo Fresnel).
Bibliografia:
Deducção das leis dos pequenos movimentos
periodicos da força elastica; theses de philosophia natural que ...
se propõe defender na Universidade de Coimbra no dia 9 de junho de
1876 para obter o grau de doutor, dissertação inaugural; Theoria
matheatica das interferencias, dissertação de concurso, 1876; Affirmações
politicas, 1888-1893; Coimbra, 1896; O Ensino, Coimbra,
1898; A Industria, Coimbra, 1898; O ensino primario e
secundario, Coimbra, 1899; O ensino profissional,
Coimbra, 1900; Notas d'um pae, Coimbra, 1897; outro vol. em
1901; A Agricultura, Coimbra, 1900; Introducção á
pedagogia, 1892; Pela liberdade (opúsculo), 1900; O ministerio das obras publicas em 1893; A Universidade de
Coimbra, 1905; Conferencias politicas (opúsculo), 1904; Pela
Republica, 1908; Os meios de communicação e o commercio;
Homenagens; 1903; Da monarchia para a republica, 1905;
A Academia de Coimbra (folheto), 1903; Theorias chimicas,
artigos publicados na Revista scientifica, publicada do
Porto.
Transcrito por Manuel Amaral
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