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Magalhães Lima (Sebastião de).
n. 30 de
Maio de 1851.
f. [7 de Dezembro de
1928].
Formado em Direito pela
Universidade de Coimbra, jornalista, escritor, etc.
N. no Rio de Janeiro em 30
de Maio de 1851, sendo filho de Sebastião de Carvalho Lima, e de
sua mulher, D. Leocádia Rodrigues Pinto de Magalhães.
Tinha 6 anos de idade quando
veio para Lisboa, sendo entregue a um dos mais importantes
negociantes da capital, e entrou para o colégio alemão, onde
frequentou os estudos preparatórios para se matricular na faculdade
de Direito, em Coimbra, o que realizou em 1870, seguindo um curso
distinto, tornando-se notável pelo desassombro com que confessava
as suas opiniões e publicamente as defendia. Ao mesmo tempo que
frequentava as aulas, colaborava em vários jornais políticos e
literários, e especialmente no Distrito de Aveiro de que foi
um dos fundadores. Enquanto cursava o segundo ano do curso jurídico,
publicou um volume com o título de Miniaturas romanticas, Martyrio
d'um anjo; Amour et Champagne; Um drama intimo; Fatalidade
e o destino; Cambiantes da comedia humana; Estrellas e
nuvens; A beira‑mar; Um dia de noivado. No
terceiro ano, diz um dos seus biógrafos, teve a fase revolucionária,
revelou-se o evangelizador audaz, o polemista enérgico e convicto.
Em 1 de Maio de 1873 colaborou no semanário A Republica
Portugueza, fundado por Alves da Veiga, escrevendo também em
outros jornais da mesma índole política. Em 1874 esteve em Coimbra
o grande orador espanhol Emilio Castelar, que foi recebido com o
maior entusiasmo pela mocidade académica. Desejavam todos os
estudantes ouvi-lo, e entre hesitações e dúvidas procurava-se o
meio de solicitar de Castelar que falasse à academia. Magalhães
Lima resolveu a questão. Entusiasmado, e seguido dos académicos,
foi cumprimentá-lo à casa onde ele estava hospedado. Emilio
Castelar chegou a uma das janelas, e Magalhães Lima pronunciou de
improviso um discurso vibrante, dizendo que a academia de Coimbra ia
ali fazer a consagração da sua fé republicana e saudar nele o
futuro das sociedades livres. Castelar, acedendo ao pedido que lhe
fizeram, respondeu da janela, com um discurso apreciando
lisonjeiramente os brios da academia e a franqueza com que
expressava a sua ideia. Por esta época publicou Magalhães Lima um
romance com o titulo A Senhora Viscondessa, e tendo nas férias
do quarto ano do curso visitado Espanha, escreveu, depois do seu
regresso o livro Contos madrilenos.
Concluída a sua formatura
em 1875 e tendo obtido a classificação de distinto, encetou em
Coimbra a profissão de advogado, vindo pouco depois para Lisboa
assentar banca, continuando ao mesmo tempo os seus trabalhos de
propaganda democrática. Colaborou na Democracia, Distrito
de Aveiro, Mosaico e no Jornal de Lisboa. Escreveu
uma série de panfletos com o título de O Espectro de Juvenal,
e em 1879 fundou o Commercio de Portugal, jornal que dirigiu,
e que em 1880 passou a ser propriedade do visconde de Melicio. Nesse
ano de 1879 também publicou um opúsculo, A questão do banco
ultramarino, em que fazia veementes acusações à, forma por
que aquela casa bancária havia sido dirigida. Em 1881 fundou o Século,
com outros conhecidos republicanos, jornal, de que é proprietário
o Sr. Silva Graça. Hoje é director da A Vanguarda. Por
causa dalguns artigos publicados no Século foi processado e
chegou a estar preso no Limoeiro; bateu-se em duelo ao sabre com
Pinheiro Chagas, então director do Diário da Manhã, por
causa dalgumas frases mais violentas que um dos seus colaboradores
escreveu noutro artigo, e de que Magalhães Lima tomou a
responsabilidade. No duelo recebeu Pinheiro Chagas um pequeno
ferimento. Quando foi do tratado de Lourenço Marques destacou-se
pela violência dos seus ataques, quer escrevendo em jornais, quer
falando nos comícios que então se convocaram. Jornalista enérgico
e orador fluente é um dos vultos principais do partido republicano.
Por ocasião dos sucessos produzidos em 1890 pelo ultimatum,
evidenciou-se também pela campanha que empreendeu contra a
Inglaterra. Tendo ido ao estrangeiro em missão politica, percorreu
a Espanha, a Itália e a França, sendo no seu regresso a Lisboa
recebido com entusiasmo pelo seu partido. O Dr. Magalhães Lima, em
1880, fez parte da comissão executiva da imprensa nas festas
celebradas em comemoração do centenário de Camões; em 1898 na
que se organizou para as festas do centenário do descobrimento do
caminho da Índia. Em 18 de Dezembro de 1904 realizou-se um grande
banquete no salão do Real Coliseu de Lisboa, em homenagem ao Sr.
Dr. Magalhães Lima, a que presidiu o Sr. Dr. Alfredo da Cunha,
director do Diário de Noticias; neste banquete inscreveram-se mais
de 300 pessoas, vendo-se ali reunidas quase todas as classes
sociais, o comércio, a indústria, a agricultura, o operariado, e o
jornalismo.
O Sr. Dr. Magalhães Lima é
membro da Associação dos Jornalistas, é sócio honorário da do
Porto; nesta qualidade representou a imprensa da capital nos
congressos que se realizaram em Estocolmo, Paris, Lisboa, Roma e
Viena. Tem publicado os seguintes escritos: Theoria da humanidade,
Pena de morte, As subsistencias, Pela Patria e pela
Republica, O Socialismo na Europa, O Livro da paz,
em 1895; A federação iberica, O primeiro de maio, A
obra internacional, 1896; O centenario no estrangeiro,
conferencia realisada na Sociedade do Geographia de Lisboa no dia 11
de novembro de 1897, Lisboa, 1897; etc. Além dos livros de
propaganda politica social, tem ainda outros sobre literatura.
Transcrito por Manuel Amaral
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