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Óbidos (D. Manuel de Assis
Mascarenhas Castelo Branco da Costa Lencastre, 5.º conde de
Sabugal, 5.º conde de Palma e 5.º conde de).
n. 18 de Julho de 1778.
f. 5 de Fevereiro de 1839.
Alcaide-mor
de Óbidos e de Salir, senhor de Palma, meirinho-mor, par do
reino em 1826, grã-cruz da ordem de Cristo, cavaleiro da Legião de
Honra de França, capitão de cavalos no exército português, e
tenente-coronel no francês, etc.
N.
a 18 de Julho de 1778, fal. a 5 de Fevereiro de 1839. Era filho do
4.º conde de Óbidos, D. José de Assis Mascarenhas Castelo Branco
da Costa Lencastre, e de sua mulher, D. Helena Maria Josefa Xavier
de Lima.
Era
mais conhecido por conde de Sabugal. Recebeu uma educação
esmerada, e conhecia perfeitamente as línguas latina, francesa e
italiana. Como tinha grande tendência para a poesia, traduziu em
verso varias composições poéticas desses idiomas, e compôs também
versos originais em francês, italiano e português, mas não
imprimiu nunca os seus trabalhos literários. Em 1804 e 1805
frequentava muito a casa da ilustre poetisa marquesa de Alorna, onde
se reuniam todas as ilustrações portuguesas, e aí o jovem conde
era admiravelmentete
recebido, não só pelo seu talento e conhecimentos literários,
como pelos seus chistes e epigramas, porque o conde era um dos mais
engraçados conversadores de Portugal. Esses epigramas, porém, não
agradavam tanto ao governo como aos frequentadores da casa da
marquesa, e o conde de Óbidos, que era oficial do exército,
recebeu ordem de ir inspeccionar as fortalezas do Algarve, e de
prolongar a inspecção até lhe dizerem de Lisboa que já não
tinha que inspeccionar. Era um desterro disfarçado. e não havia de
ser o último.
Em
1807 entrou em Portugal o general francês Junot, e organizou a célebre
legião lusitana, que mandou para o exército de Napoleão. O conde
de Sabugal era então tenente-coronel, fez parte desse corpo de
tropas, e portou-se brilhantemente na campanha de Áustria em 1809.
Em Wagram era ajudante de ordens do marechal Oudinot, e
distinguiu-se por tal forma que o próprio imperador o condecorou
com a Legião de Honra, no campo da batalha. Quando, porém, lhe
deram ordens para vir servir na Espanha e provavelmente em Portugal,
não querendo voltar as armas contra a sua pátria, abandonou o exército
francês, e veio apresentar-se em Portugal, onde foi mal recebido.
Muitos que tinham sido cortesãos de Junot, entenderam que deviam
condenar o oficial que sustentara no campo de batalha da Alemanha a
honra do nome português. O conde foi desterrado para a ilha de S.
Miguel. Voltando à pátria, acolheu sem inimizade a revolução de
1820, mas o seu génio epigramático ainda desta vez o prejudicou.
Os patriotas de 1820 eram tão susceptíveis como os ministros do
absolutismo, e não toleraram a zombaria, intimando o conde a que saísse
do reino.
O regime monárquico liberal de 1826 foi o que mereceu mais as
simpatias do conde de Sabugal. Eleito par do reino, seguiu as sessões
da câmara, e em 1828 preferiu exilar-se pela quarta vez, partindo
para Inglaterra, a reconhecer o governo de D. Miguel. foi então
nomeado pelo governo de D. Maria II, rainha no exílio, ministro de
Portugal na corte do Brasil. Também aí criou o conde de Sabugal
bastantes inimigos. Voltando à Europa, cansado dos dissabores que
sofrera na sua missão no Brasil, não pôde tomar parte na luta que
terminou pela vitória da causa constitucional, porque os anos e as
enfermidades já lhe não
permitiam um serviço activo. Depois de 1834 conservou-se alheio à
política; apenas em 1836 protestou contra a revolução de
Setembro, juntamente com mais 26 dos seus colegas da câmara alta.
No ameno convívio com os homens de letras, que prezava e que o
prezavam, admirando ainda os chistes cintilantes da sua conversação,
passou os últimos anos da sua vida. Mendes Leal pronunciou no
Conservatório o seu Elogio.
O conde de Óbidos e de Sabugal havia herdado a casa de seu pai a 27
de Agosto de 1806, e tivera a renovação do tratamento de parente
da Casa Real, por decreto de 26 de Outubro de 1823. Casou a 6 de
Abril de 1811 com D. Maria Ana Xavier Teles da Gama, filha do 7.º
marquês de Nisa.
Transcrito por Manuel Amaral
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