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Vieira (António Carlos da
Rocha).
n:
f: 4 de Outubro de 1902.
General de brigada
reformado.
N em Lisboa, e fal. a 4 de
Outubro de 1902. Era filho do oficial de marinha João Eleutério da
Rocha Vieira, e pode dizer-se que o infortúnio o perseguiu desde o
berço.
Foi num dos calabouços do
castelo de S. Jorge, que ele aprendeu as primeiras letras com seu
pai, que tinha sido encarcerado em 1828 por se haver declarado
liberal convicto, e cursava o Colégio Militar desde 1935 quando
recebeu a infausta noticia do seu falecimento na Guiné. Ficando sem
amparo no mundo, o Colégio Militar passou a prover a todas as suas
necessidades, mas a má sorte continuava a perseguir o pobre moço.
Andando nas alturas do 3.º ano do seu curso, deu uma canelada tão
grave que lhe produziu um padecimento escrofuloso que durante 3 anos
o impediu de continuar a estudar, prendendo-o à enfermaria do Colégio.
Ali, para entreter o espírito, foi lendo livros de filosofia e
outros, aperfeiçoando-se nas línguas latina, francesa e inglesa,
até que, restabelecendo-se, continuou o curso. Tinha então 17 anos
o espírito amadurecido, e muitos conhecimentos. O quase isolamento
em que vivera durante tão largo período tornara-o melancólico e
fizera-o poeta. Acabou o curso em 1846 assentou praça em infantaria
n.º 7, e a sua entrada na vida militar foi assinalada por um novo
infortúnio. Tendo rebentado a revolução de 6 de Outubro daquele
ano contra o governo que saíra da revolução de Maio, Rocha
Vieira, que servia com António de Serpa Pimentel, José Correia de
Freitas e outros numa coluna de operações comandada pelo major
Bernardo António Ilharco, caiu prisioneiro em Alcácer do Sal com
todos os seus camaradas e foi levado para o cárcere do castelo de
Palmela. Ali, para ocupar o tempo, enchia de versos e de magníficos
desenhos a carvão as paredes que o sequestravam da liberdade, sem
que a comunidade do cárcere com António do Serpa e Correia de
Freitas modificasse de qualquer forma para com eles o seu animo
concentrado e melancólico. Quando recuperou a liberdade, Rocha
Vieira continuou a sua carreira, servindo por algum tempo na cidade
da Guarda, onde lhe não faltaram desgostos. Serviu mais tarde nas
obras públicas no Algarve, onde se casou, e em Castelo Branco.
Depois passou aos Açores, onde continuou a sua carreira,
regressando a Lisboa, reformou-se no posto de general de brigada.
Nesta altura da vida feriu-o o ultimo infortúnio: o enlouquecimento
dum filho, que teve de ser recolhido no hospital de Rilhafoles.
Nos ócios da vida oficial
consagrou-se às letras, deixando manuscritas numerosas traduções
em prosa e verso, sobretudo do inglês, e contando-se entre elas o
romance Harold. Também começou a traduzir o Paraíso
perdido, de Milton, mas a doença que o havia de vitimar,
obrigou-o a interromper esse trabalho no 3.º ou 4.º canto. Foi um
cultor apaixonado da língua universal o volapuk, escrevendo
a correctamente e conhecendo-a tanto que o seu nome era citado nas
publicações que a essa língua diziam respeito como o duma
autoridade de primeira ordem.
Transcrito por Manuel Amaral
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