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Vila Real (D. José Luís de Sousa
Botelho Mourão e Vasconcelos, 1.º conde de).
n: 8 de Outubro de 1815.
f: 4 de Fevereiro de 1858.
Senhor dos morgados de
Mateus, Cumeeira, Sabrosa, Arroios, Moraleiros e Fontelas, tenente-general,
par do reino, conselheiro de Estado, diplomata, grã-cruz da ordem
de Avis e comendador da Torre e Espada; grã-cruz. de Carlos III de
Espanha, de Leopoldo da Áustria, de Sant’Ana da Rússia,
comendador de S. Luís, em França; condecorado com a cruz de ouro
das campanhas da Guerra Peninsular, etc.
N. em Lisboa a 9 de
Fevereiro de 1785, fal. em S. Petersburgo a 26 de Setembro de 1855.
Era filho do célebre morgado Mateus, e de sua primeira mulher, D.
Maria Teresa de Noronha (V. Vasconcelos, José.
Maria de Sousa Botelho Mourão e).
Fez os seus estudos
preparatórios no país, e depois matriculou-se na Universidade de
Goettingen, onde se formou. Destinado por seu pai à
advocacia, preferiu a carreira das armas e aos 17 anos, em 3 de
Abril de 1802, assentou praça no regimento de cavalaria de Alcântara,
que depois foi o regimento de cavalaria n.º 1, chegou ao posto de
tenente, e demitiu-se quando, por ocasião da invasão francesa,
Junot organizou a seu talante o exercito português para o mandar
servir em França. Apenas, porém, rebentou em Trás-os-Montes a
revolução contra o domínio estrangeiro, D. José Luís de Sousa
foi logo apresentar-se e fez a campanha de 1808. Em 1809 foi
ajudante de campo de Beresford, que o apreciava muitíssimo pela sua
vasta cultura mental e pelo seu perfeito conhecimento de varias línguas,
e com tanta distinção se portou nos campos de batalha, que em 1813
era tenente-coronel. Em 1814 foi nomeado conselheiro de embaixada em
Londres, conseguindo seu pai, finalmente levá-lo para a carreira
diplomática, mas Beresford não o tirou do quadro, e quando lhe
coube o posto de coronel deu-lhe o comando do regimento de cavalaria
n.º 10, ficando a fazer as suas vezes, enquanto não voltava para
as suas fileiras, um coronel agregado.
No mesmo ano da 1814 foi
nomeado ministro plenipotenciário na corte de Madrid, onde prestou
valiosos serviços durante o período critico de 1814 a 1820, e
neste ultimo ano, tendo sido chamado o marquês de Palmela, ministro
de Portugal em Londres, para ir como ministro dos negócios
estrangeiros para o Rio de Janeiro, D. José Luís de Sousa foi
nomeado para o substituir. Embarcou para Lisboa para seguir depois
para Londres, e ao chegar à capital, deparou-se-lhe triunfante a
revolução, que não viu com simpatia, talvez que por ter sido um
golpe formidável vibrado contra a tutela inglesa e, sobretudo,
contra o despotismo odioso do seu grande amigo Beresford.
Considerando-se, porém, representante do legitimo soberano, nem por
isso deixou de seguir para Londres a ocupar o lugar para que tinha
sido nomeado, e do qual foi demitido em 1821. Regressou então a
Lisboa, e passou a residir na sua casa de Mateus, onde vivia quando
rebentou a contra-revolução de 1823. Aderiu prontamente a ela, e
em paga recebeu depois de D. João VI o titulo de conde de Vila
Real, por decreto de 3 de Julho desse ano, o despacho, de brigadeiro
e a nomeação de ministro de Portugal em Londres, cargo que exerceu
até 1825. Em 1826 tomou assento na câmara dos pares do reino, e
foi encarregado pela infanta D. Isabel Maria de ir buscar a Viena de
Áustria o infante D. Miguel. Depois, quando o infante deu o golpe
de Estado, em 1828, aceitou a pasta de ministro da guerra, mas pouco
tempo depois resignava-a ao ver o caminho que os acontecimentos
tomavam. O seu espírito não propendia para o absolutismo, contra o
qual trabalhara diplomaticamente tempos antes na corte de Madrid, e
daí, a sua resolução.
Suspeito de liberal desde
então teve de emigrar, como tantos outros, para o estrangeiro, e lá
por fora se conservou até 1833 ano em que voltou a tomar o seu
lugar na câmara dos pares. Fez parte do primeiro ministério da
rainha D. Maria II, presidido pelo duque de Palmela, e no qual geriu
a pasta dos negócios estrangeiros, e também tez parte do ministério
presidido pelo duque da
terceira e que foi derribado pela revolução de Setembro de 1836.
Cartista
decidido, não transigiu com os vencedores e
demitiu-se do seu posto de brigadeiro, sendo sucessivamente
promovido a marechal de campo e a tenente‑general. Em 1846
partiu para o estrangeiro, descontente com os acontecimentos políticos,
e regressou em 1854, pronunciando na câmara alta um vigoroso
discurso em favor da Carta Constitucional. Nomeado no ano seguinte
ministro de Portugal em S. Petersburgo ali faleceu pouco tempo
depois.
O conde de Vila Real casou a 27 de Agosto de 1811
com D. Teresa Frederica Cristina de Sousa Holstein, dama da rainha,
e da ordem de Maria Luísa de Espanha, 3.ª filha de D. Alexandre de
Sousa Holstein, e de sua primeira mulher D. Isabel Juliana Bazalissa
José de Sousa Coutinho Monteiro Paim.
Transcrito por Manuel Amaral
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