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Felgueiras
(João Baptista).
n. ca.
1790.
f. 13 de Março de 1848.
Bacharel
formado em Direito pela Universidade de Coimbra, deputado, Procurador-geral
da Coroa, etc.
N.
em Guimarães, pouco antes de 1790, fal. em Lisboa a 13 de Março de
1848. Era filho do desembargador Manuel Augusto Felgueiras, e de sua
mulher D. Inês Felgueiras. Pertencia a uma família das mais
distintas da província do Minho.
Depois
da sua formatura, seguiu a carreira da magistratura, e chegou a ser
juiz de fora em Viana do Castelo, depois de seguir os trâmites que,
para se chegar a esse cargo, as leis de então exigiam. Sendo eleito
deputado depois da revolução de 1820 para as primeiras cortes
constituintes, exerceu sempre o cargo de secretário. Quando em 1823
a reacção restabeleceu o absolutismo e os direitos inauferíveis
da realeza, João Baptista Felgueiras afastou-se da politica, e
assim se conservou, tendo contudo aplaudido fervorosamente o
restabelecimento do regime liberal pela outorga da Carta
Constitucional, quando em 1828 o surpreendeu a reacção Miguelista.
As suas ideias altamente liberais o obrigaram a fugir das perseguições
do partido absolutista.
O governo julgava-o emigrado, mas Felgueiras
ocultara-se em casa da família Gomes de Castro, também liberal. A
entrada no Porto
das tropas, que tinham desembarcado no Mindelo, o animou a sair do
seu esconderijo, e voltando a cidade, Felgueiras assistiu à luta
que se travou em torno das muralhas do Porto, sem ter papel oficial,
mas relacionado, intimamente com os membros do governo, amigo
particular de Agostinho José Freire e de José da Silva Carvalho,
muito considerado pelo imperador, a ponto que não se resolvia
assunto qualquer importante, sem que fosse ouvido o seu parecer.
Quando em 1833 se transferiu a sede do governo constitucional do
Porto para Lisboa, foi nomeado procurador geral da Coroa, lugar de
que se demitiu por ter triunfado a revolução de Setembro de 1836,
a que era adverso, indo então ocupar a cadeira que lhe competia no
Supremo Tribunal de Justiça. Assistiu, com pouca simpatia, à reunião
das cortes constituintes, mas não tomou parte em nenhuma das
tentativas de contra-revolução, e no entretanto, foi talvez, bem
involuntariamente e bem ocasionalmente, causa da morte de Agostinho
José Freire. No dia em que se deu este triste acontecimento, João
Baptista Felgueiras, que morava na rua do Quelhas, convidara-o a
jantar, desejando que ele comesse dum pavão com que o haviam
presenteado. Agostinho José Freire morava então em Rilhafoles;
acedeu ao convite, e em casa de Felgueiras soube que a rainha D.
Maria Il partira para o palácio de Belém, e se planeara a
contra-revolução. Não pensou mais em jantar, e metendo-se na sua
carruagem, foi para Belém pelo caminho de Alcântara, que lhe
ficava mais perto, onde teve a infelicidade de encontrar a morte (V.
Freire, Agostinho José). Eleito
deputado por Viana do Castelo, quando começava a travar-se um
movimento em favor da restauração da Carta, estava naturalmente
indigitado para ministro quando a restauração triunfasse. Deu-lhe
o triunfo, como é sabido, o pronunciamento no Porto, de António
Bernardo da Costa Cabral, depois conde e marquês de Tomar, e este
apenas foi chamado ao governo, sem consultar sequer João Baptista
Felgueiras, fez lavrar o decreto nomeando-o ministro da justiça.
Surpreendido por esta nomeação inesperada, tanto mais que ele,
desejando a restauração da Carta, reprovava os meios revolucionários
a que se recorrera, Felgueiras foi directamente ao paço entregar a
sua demissão, ficando assim ministro de estado honorário, sem
nunca ter sido ministro. Costa Cabral nunca lhe perdoou esta resolução,
e na sessão da câmara dos deputados de 10 de Agosto de 1842
claramente revelou o seu desgosto. João Baptista Felgueiras ficou
então novamente afastado da política, voltando a ocupar-se
exclusivamente dos seus deveres de magistrado e das suas afeições
domésticas, até que faleceu subitamente, vitima duma congestão
cerebral.
Deixou
impresso: Necrologia de Agostinho José Freire, que foi ministro
e secretario de estado honorario, conselheiro de estado, par do
reino, etc., Lisboa, 1837; saiu depois, ainda em 1837, mais
ampliada, com o título: Resumo historico da vida e tragico fim
do conselheiro de estado Agostinho José Freire, etc.; saiu sem
o nome do autor, e parece que não foi posto à venda.
Transcrito por Manuel Amaral
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