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Maria (D.).
n. 15 de Outubro de 1527.
f. 12 de Julho de 1545.
Infanta, filha do rei D. João III e da
rainha D. Catarina, sua mulher.
N. em Coimbra a 15 de Outubro de 1527,
fal. em Valladolid a 12 de Julho de 1545.
O imperador Carlos V, que desposara uma
princesa portuguesa e obtivera um dote magnífico, quis igual
fortuna para seu filho, o príncipe Filipe, e encarregou o seu
embaixador Luís de Mendonça Sotto‑Maior de pedir em
casamento a filha do rei de Portugal. Em 1 de Dezembro de 1542 se
outorgaram em Lisboa os capítulos do contrato matrimonial, sendo a
infanta D. Maria dotada em 400.000 cruzados, nos quais se incluía a
importância das jóias, pedras preciosas, pérolas, ouro e prata, e
o mais que a infanta levasse para seu uso, que tudo seria descontado
do dote, e também as legitimas e tudo o mais que lho pudesse
pertencer. O imperador Carlos V lhe fez de arras 133.000 cruzados, e
10.000 ducados de ouro de renda, para o que hipotecou todos os bens
da coroa, em especial as rendas das cidades de Córdova e de Ecija,
com as mais condições comuns nos tratados matrimoniais. Os dois
noivos contavam ambos a mesma idade de 16 anos. O casamento
celebrou-se com extraordinária pompa. No dia 8 de Outubro de 1543
saiu de Lisboa a infanta D. Maria com uma luzidia comitiva, indo por
mar até Alcochete, acompanhando a seus pais até ao embarque,
seguindo com a infanta o duque de Bragança, o arcebispo de Lisboa,
e grande comitiva de ilustres cavaleiros, criados e damas,
ostentando todos a maior pompa. No extremo de Portugal e Castela, a
infanta foi entregue solenemente ao duque de Medina Sidónia e ao bispo
de Cartagena, que, acompanhados também de pomposa comitiva, vinham
da parte do imperador esperar a infanta. O casamento realizou-se em
15 de Novembro do mesmo ano de 1543. Deste consórcio prematuro
nasceu um filho, o príncipe D. Carlos, esse príncipe infeliz, que
foi vítima do génio sombrio de seu pai, e que veio a morrer
recluso num quarto do palácio real. A infanta morreu deste parto.
Foi a 1.ª mulher de Filipe II de Espanha e I de Portugal. (V. Portugal
vol. III, pág. 489).
Transcrito por Manuel Amaral
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