A primeira Invasão francesa

 



Com a assinatura do Tratado de Tilsit em 7 de Julho de 1807, entre Napoleão e o Imperador russo Alexandre I, a neutralidade portuguesa, conseguida em 1803, ficou comprometida. Os esforços da França imperial concentravam-se agora na luta contra a Grã-Bretanha e os seus potenciais aliados, que também eram potências marítimas.

 
A Europa em Julho de 1807
Mapa realizado com Centennia
A Europa em Julho de 1807

A Suécia em guerra com a França desde 1805, a Dinamarca e Portugal, neutrais, tornaram-se o foco da atenção de Napoleão. O objectivo era duplo, não só fechar os portos destes países ao comércio Britânico, mas também, e não menos importante do ponto de vista da continuação da guerra, a captura das respectivas marinhas de guerra. As contas eram fáceis de fazer. O Reino Unido tinha 103 naus em serviço. A França tinha 37. Napoleão achava que precisava de uma superioridade de 3 para 2, para pôr em causa a superioridade naval britânica. Precisava por isso de 155 naus em serviço. Pensava poder contar com 66 navios dos aliados. Com os 45 navios dos três países, que se encontravam no meio do imenso turbilhão que se tornara a guerra franco-britânica, e um importante esforço de construção naval, Napoleão Bonaparte esperava conseguir uma superioridade numérica, que lhe permitisse pôr em causa a capacidade naval britânica, de bloquear os portos europeus e defender o Canal da Mancha de uma força de invasão francesa.


País

Naus

País

Naus

País

Naus

Reino Unido

103

Suécia

12

França

37

 

 

Dinamarca

20

Espanha

24

 

 

Portugal

13

Holanda

6

 

 

 

 

Rússia

36

Total

103

Total

45

Total

103

Fonte: Michael Glover, The Napoleonic Wars


A Suécia viu as suas possessões na Alemanha novamente atacadas a partir de 3 de Julho, com o fim do armistício que vigorava desde Abril anterior, perdendo a Pomerânia Sueca quando Stralsund foi conquistada em 20 de Agosto e a ilha de Rugen em 9 de Setembro. Mas a frota sueca continuou na Suécia, e o marechal Brune, responsável pelo exército atacante foi demitido do seu posto. Em 29 de Julho, acabado de chegar a Paris, Napoleão deu ordens para a criação do Corpo de Observação da Gironda, o exército de invasão de Portugal, para o qual nomeou o general Junot, e em 2 de Agosto dará ao marechal Bernadotte o comando de um exército, a formar com tropas espanholas, com a missão de pressionar a Dinamarca a aderir ao Bloqueio Continental ou, se a resposta fosse negativa, a invadir aquele país.

A resposta britânica

O governo britânico soube rapidamente dos acordos de Tilsit, e da pressão que iria ser exercida sobre as potências neutrais - Dinamarca e Portugal - e a Suécia, para aderirem ao Bloqueio Continental e entregarem as suas frotas à França. A resposta do novo governo Tory não se fez esperar. Desde 1805 que a Grã-Bretanha mantinha uma presença activa no Báltico, tendo mesmo tropas a ajudar a Suécia na defesa de Stralsund. Enviou imediatamente uma força naval para a Dinamarca, que largou em 26 de Julho, acompanhada de um corpo de tropas que desembarcou na ilha da Zelândia, a partir de 16 de Agosto, enquanto a frota bombardeava Copenhaga. O ataque foi um êxito completo. Copenhaga capitulou em 7 de Setembro e a Dinamarca entregou a sua frota de guerra que foi levada para a Grã-Bretanha. Restou-lhe um único navio, que foi destruído no ano seguinte. As forças terrestres britânicas abandonaram a Zelândia em 20 de Outubro, mas mantiveram-se na ilha de Heligolandia, que se tornou uma base importante para introdução de produtos do Reino Unido na Europa do Norte.

Os planos de Napoleão tinham sido postos em causa. Ganhara um aliado fiel, perdera a frota dinamarquesa, não apresara a sueca, e tinha mostrado como lhe era difícil defender as zonas costeiras, sobretudo a dos aliados, das incursões britânicas. A aplicação do Tratado de Tilsit não começava nada bem para a França Imperial !

Assim, a frota de guerra portuguesa, e os poucos navios que após a batalha de Trafalgar restavam às frotas espanhola e francesa fundeadas em Cádiz, tornavam-se ainda mais importantes, para a continuação da guerra contra a Inglaterra.

continuação


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